FESTIVAL DE MÚSICA DE LONDRINA - Uma sinfonia INACABADA
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terça-feira, 10 de julho de 2007
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O compositor austríaco Franz Schubert (1797-1828), famoso pela misteriosa ''sinfonia inacabada'', inscreveu seu nome na história da música fazendo a transição entre os períodos clássico e romântico. Seu legado é o grande homenageado de hoje no 27º Festival de Música de Londrina, cuja programação destaca o concerto ''Schubertiade'', com participação de Gilberto Tinetti (piano), Marília Vargas (canto), André Ehrlich (clarinete) e Família Brandão (cordas).
O concerto começa às 20h30 no Teatro Ouro Verde. O programa reúne as peças ''Sonatina em Ré Maior para violino e piano''; ''Der hirt auf dem Felsen'' para clarinete, piano e voz; o lied ''A Truta para voz e piano; e o quinteto ''A Truta para piano e cordas'' (violino, viola, violoncelo e contrabaixo).
O terceiro movimento desta última composição foi criado como uma variação sobre o lied homônimo, daí o mesmo título. A obra já foi definida como ''de frescor de uma manhã nos campos''.
O termo ''lied'', citado nas linhas anteriores, talvez tenha intrigado os leitores leigos. Não sem razão. Trata-se de uma expressão que pode ser grosseiramente traduzida como canção, embora um tipo muito particular de canção, difícil de ser explicada em palavras tal como ocorre com a modinha ou a seresta brasileira.
Schubert foi mestre em escrever peças do gênero. Compôs cerca de 600 lieder (no plural), musicando textos de Shakespeare, Goethe e poetas obscuros austríacos.
Em seus lieder, escritos para voz e piano, o piano não aparece apenas como acompanhamento: é parte integrante da ação, narrador e comentarista. Um detalhe que deverá vir à luz no concerto de hoje à noite pelas mãos de Gilberto Tinetti, músico paulistano de carreira multifacetada com quatro décadas de atuação intensa e contínua.
Aos 75 anos, ele é considerado um dos melhores cameristas do País. Em 1959, venceu o concurso da Academia Internacional de Verão do Mozarteum de Salzburgo, Áustria. De lá para cá, tem se apresentado em vários países da Europa, América Latina e Estados Unidos. No Brasil, apresenta-se regularmente como solista das principais orquestras, como recitalista e em concertos de música de câmara.
Destaca-se também junto ao Trio Brasileiro, que fundou em 1975 com Lehninger e Clis. Eles já gravaram sete álbuns - 5 LPs e 2 CDs. Em 1999, receberam o Prêmio Carlos Gomes como ''melhor grupo de câmara''. Ao lado de Tinetti, hoje no palco do Teatro Ouro Verde, a soprano Marília Vargas faz sua segunda aparição no Festival - ontem ela mostraria seu talento vocal no Auditório do Teatro Marista.
Outro convidado do concerto, o clarinetista André Ehrlich é dono de um currículo invejável, no qual pontificam sucessivas premiações - Concurso Jovens Instrumentistas Brasil, Concurso Internacional Jovens Concertistas e Concurso Jovens Solistas.
Membro fundador da Orquestra Sinfônica do Paraná, ele incrementou sua formação na Alemanha, onde concluiu a Pós Graduação em Detmold.
Também de Curitiba, a Família Brandão completa o elenco de músicos participantes levando para o palco Maria Ester Brandão (violino), Maria Alice Brandão (violoncelo), Hélio Brandão Filho (saxofone) e Koiti Watanabe (viola). Além do concerto, a obra de Schubert será comentada hoje pelo pesquisador Sérgio Molina no ciclo de conferências ''Como Ouvir Música'', às 18h15, no Espaço Caixa (ex-Associação Médica). Aqui, a entrada é gratuita.
Também dentro da programação do 27º FML, hoje à noite, a partir das 22h, haverá show de MPB com a banda londrinense Blitz, que relembra sucessos como ''Você não soube me amar'', ''Weekend'', ''A dois passos do paraíso'', ''Betty Frígida'', entre outros, no Bar Valentino.


