Festival de Música começa amanhã
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quarta-feira, 08 de julho de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A 35ª edição do Festival de Música de Londrina (FML) começa amanhã e promete movimentar a cidade nas próximas duas semanas. Até o dia 25, 848 alunos vão participar de 59 cursos com 48 professores. Serão cerca de 60 apresentações ao longo do evento, incluindo seis cidades da região. A primeira acontece já nesta sexta-feira, com a participação do Coral da Universidade da Amazônia, às 11h45, no Calçadão, e do Grupo de Percussão do Projeto Guri, às 20h30, no Teatro Crystal. No domingo, a abertura popular ocorre no anfiteatro do Zerão, às 16h30, com o tradicional Concerto Azul Caixa, com a Banda Sinfônica do Exército Brasileiro. A banda vai executar a "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro", sob a regência do maestro Eduardo Pereira. Caso chova, a apresentação será transferida para a Catedral Metropolitana. As outras apresentações do final de semana estão disponíveis na grade de programação no site do evento (www.fml.com.br), com os horários e valores de ingresso em cada local.
Mas a grande expectativa está no concerto oficial de abertura, que acontece na segunda-feira, às 20h30, com a Orquestra Sinfônica Jovem do FML. Formada por 55 jovens bolsistas de três projeto sociais brasileiros (Projetos Guri, de São Paulo, Neojiba, da Bahia, e Projeto Ação Social pela Música do Brasil, do Rio de Janeiro), a iniciativa é inédita no País. "A ideia de reunir esses jovens aqui representa o compromisso do festival que vai além da formação musical, mas sobretudo, investir na arte como fonte de transformação social e desenvolvimento da cidadania. Não por acaso, o tema do FML é 'Música, Educação e Diversidade Cultural'", frisou o diretor artístico Marco Antonio de Almeida, em entrevista coletiva realizada ontem. O concerto terá ainda o solo do violonista Yamandu Costa e do pianista cubano Leonel Morales, sob regência do renomado maestro espanhol Josep Caballé Domenech, que teve apenas três dias para alinhar o repertório com os participantes.
De acordo com a diretora pedagógica Magali Kleber, a iniciativa da Orquestra Jovem é a realização de um sonho e, ao mesmo tempo, um grande desafio. "Infelizmente, o Brasil não tem música nas escolas. No entanto, esses projetos suprem uma parte dessa lacuna, mudando a realidade de violência urbana e pobreza de muitas comunidades. O projeto da Orquestra do FML, portanto, partilha da mesma concepção, que é ter um festival como agente de transformação social."
Ela lembrou ainda que o evento será espaço para debater políticas públicas na educação musical, bem como questões problemáticas da área no II Encontro do Fórum Permanente de Formação de Professores de Música e no II Encontro Nacional do Pibid Música. "Serão trinta universidades representadas e mais de 130 alunos. Estamos num festival que acolhe a diversidade e a educação", completou.
35 anos
Ao longo de três décadas e meia, Almeida lembra que o festival, além das inúmeras dificuldades financeiras, passou por mudanças de formatação e, hoje, é aberto a diferentes estéticas e propostas. "Estou à frente da direção por 16 anos, desde 2005, de forma ininterrupta. Pela primeira vez, abrimos o evento para a música popular. Também tivemos a preocupação em colocar projetos como concurso de jovens solistas e cameristas. Instalamos ainda o Simpósio Paranaense de Educação Musical. Sofri várias críticas, mas hoje vejo que estamos no caminho certo, que é um Festival de Todas as Músicas."
Se o evento se consolidou como parte importante do calendário da cidade, o diretor comenta que a falta de espaços para apresentações e patrocínios locais ainda são são um grande desafio. "Precisamos de uma comunidade e empresariado local mais sensibilizado. O FML é de Londrina e, juntamente com outros festivais, torna a cidade diferenciada com relação às artes", enfatizou.


