Festival de Locarno começa com filme brasileiro entre concorrentes
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Rui Martins 
Locarno, Suíça, 03 (AE) - Comeca amanhã (4 de agosto) o Festival Internacional de Cinema de Locarno, onde o filme brasileiro, "Dois Córregos", de Carlos Reichenbach, concorre com 19 filmes de diversos países, ao Leopardo de Ouro. O filme de Carlos Reichenbach é o primeiro filme brasileiro selecionado, este ano, para uma competição internacional. Será exibido no final do Festival, justamente numa sexta-feira 13, com a presenca do cineasta.
Durante dez dias, a cidade de Locarno viverá o clima do cinema e, à noite, serão projetados 20 filmes no telão da Piazza Grande de quase 300 metros quadrados. A abertura do Festival de Locarno será com o filme "Matinée", do cineasta americano independente Joe Dante, autor de "Gremlins".
O Festival de Locarno, dirigido pelo alemão Marco Muller
evita os filmes comerciais e, este ano, quer destacar os americanos independentes da segunda geração da Corman Factory.
No centenário do nascimento de Alfred Hitchcock, 13 de agosto, o festival exibirá uma versão restaurada de "Os Pássaros". A homenagem do ano será para o cineasta suíço Daniel Schmid, com seu novo filme "Berezina ou os últimos dias da Suíça", denunciando a hipocrisia, o egoísmo, o cinismo e a tentação isolacionista.
Convidado por Leon Cakoff, o diretor do Festival de Locarno, Marco Muller, irá ao Brasil, como membro do júri da Mostra de São Paulo, em outubro. No próximo festival, do ano 2000, caberá ao brasileiro Walter Salles fazer parte do júri do Festival de Locarno.
Marco Muller mostra satisfação pela redescoberta de Locarno pelos cineastas brasileiros. Na época do cinema novo, o Brasil ganhou diversos prêmios em Locarno. Entretanto, essa presença foi-se tornando rara. No ano passado, o cinema brasileiro reapareceu com Walter Salles e Daniela Thomas. Até ali, diz Marco Muller, os cineastas brasileiros ignoravam Locarno. Uns porque guardavam seus filmes para Veneza. Quando Veneza rejeitava, o que acontecia com frequência, tentavam Locarno, mas eu era obrigado a mostrar que a seleção já tinha sido encerrada e que Locarno não podia ser o festival dos restos de Veneza.
É preciso também reconhecer ter havido um problema entre Locarno e os cineastas brasileiros. Prometi ajudar alguns cineastas na produção de seus filmes, através da fundação ligada ao Festival, mas os responsáveis pelo financiamento discordaram e Locarno passou a ser boicotado, relembra Muller. Felizmente, isso já foi superado e, este ano, recebemos diversos filmes para a seleção, revela Marco Muller.


