Festival de Inverno de Campos do Jordão resgata vigor
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sexta-feira, 29 de junho de 2018
Folhapress 

Ponto alto da música erudita no Brasil, o Festival de Inverno de Campos do Jordão começa neste sábado (30). Mantida a tradição recente, a abertura será da Osesp, em Campos do Jordão (a cerca de 180 km da capital paulista). Sob regência da diretora musical e regente Marin Alsop, o conjunto tocará obras de autores do período moderno, como "Don Juan, Op. 20", de Richard Strauss (1864-1949).
Em sua 49ª edição, o evento mostra relativo vigor face a anos anteriores, quando a agenda refletiu a recessão em cortes de verbas e atrações. Até 29 de julho, serão cerca de 90 apresentações divididas entre São Paulo e Campos do Jordão, 68 das quais gratuitas.
O total cresceu frente a 2017 (80 atrações), ao encontro de uma leve alta nos recursos: foram R$ 3,2 milhões de patrocínio, contra R$ 3,1 milhões em 2017 - não há verbas públicas diretas, diz a organização. "Manter o festival no alto nível que se espera, com um orçamento muito diminuído", eis o maior desafio administrativo, diz Arthur Nestrovski, 58, diretor artístico do evento.
Outra prioridade, afirma, é equilibrar as demandas artísticas com as de formação. Promovido desde 1970, o programa mantém a premissa de fomentar a música erudita a partir de conteúdo pedagógico. São 198 bolsistas - quase 160 brasileiros - convocados a aulas e ensaios com mais de 50 professores do Brasil e do exterior, além de concertos com Orquestra, Camerata e Grupo de Música Antiga do evento. Os estudantes também fazem concertos de câmara com os professores, e os mais bem classificados ladearão a Osesp em um concerto em 7/7.
Nestrovski dimensiona a relevância da agenda didática a partir dos reflexos dela na Osesp, orquestra em cuja formação há, hoje, cerca de 90% de ex-alunos de Campos.
Da agenda, o diretor artístico destaca as participações do pianista carioca Arnaldo Cohen, que celebra 70 anos. Também realça a Orquestra do Festival, cuja desenvoltura "em nível de cair o queixo" credita a investimentos na área.
"Boa parte dos alunos tem a idade da Sala São Paulo (1999); é a primeira geração que cresceu ouvindo orquestras de modo antes impensável."
O papel do evento como fomentador da música clássica também anima Alsop, 61, consultora artística do festival. Ela cita Valentina Peleggi, regente da Osesp oriunda do programa, como exemplo do potencial transformador.
"São três semanas muito intensas; o artista esquece questões pessoais e não pensa em nada além dele mesmo, seu instrumento e sua música."
Ela viveu isso ao estudar regência com Leonard Bernstein (1918-90) no festival Tanglewood, nos EUA, em 1989.
A programação inclui grupos de câmara e orquestras de outros estados do Brasil, além de músicos estrangeiros. Na cidade serrana, que em 2017 atraiu 48 mil pessoas, segundo a organização, a escalação se revezará entre auditório Claudio Santoro, pça. do Capivari, Capela do Palácio e Igreja de Santa Terezinha. Na capital, concentra-se na Sala São Paulo e na Sala do Coro.
Outro destaque são os concertos gratuitos, a partir de 9/7, em Campos, na Igreja de Sta Terezinha (às 17h) e em SP, na Sala do Coro (às 19h).
O evento também terá concertos gratuitos aos fins de semana na concha da Praça do Capivari e na Capela do Palácio, em Campos do Jordão.
Serviço
49º Festival de Inverno de Campos de Jordão
Quando: de sábado (30) a 29 de julho
Onde: Campos de Jordão e em São Paulo (Sala São Paulo; pça. Júlio Prestes, 16, tel. 11- 3367-9500)
Quanto: R$ 10 a R$ 100 (parte tem entrada gratuita); veja a programação em festivalcamposdojordao.org.br


