FESTIVAL DE DANÇA DE JOINVILLE - Baryshnikov, o astro da dança em solo tupiniquim
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terça-feira, 17 de julho de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha<br> Enviada a Joinville 
O bailarino Mikhail Baryshnikov, que abre hoje com a companhia de dança Hell's Kitchen a 25 edição do Festival de Dança de Joinville, no Centreventos Cau Hansen, disse ontem que está sentindo-se um astro do rock, como Mick Jagger, vocalista dos Rolling Stones. A apresentação desta noite será a primeira da Hell's Kitchen em um espaço das dimensões do Centreventos, com capacidade para 4,3 mil pessoas.
Formada por jovens bailarinos da Baryshnikov Arts Center (BAC), inaugurada em Nova York, em 2005, a Hell's Kitchen está em atividade desde o ano passado. A companhia interrompeu a turnê de verão pelos Estados Unidos para vir ao Brasil. O programa previa três peças de jovens coreógrafos ligados ao BAC e sofreu uma alteração por um problema pessoal de um dos bailarinos, que precisou voltar aos Estados Unidos. Estão mantidos o solo Years Later, de Benjamin Millepied, com o qual Baryshnikov abre o espetáculo, e a peça da canadense Arzure Barton, chamada Come In.
Com o imprevisto, o programa acabou ganhando uma participação especial de três alunos da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que tem sede em Joinville. São duas meninas e um menino com idade entre 12 e 14 anos. Eles participaram na segunda-feira de uma apresentação especial para os bailarinos da Hell's Kitchen e chamaram a atenção de Baryshnikov pelo desempenho na execução de um pas de troi (a dança francesa) do segundo ato do balé O Quebra Nozes. O trio foi então convidado a se apresentar na noite de abertura junto com a companhia de Baryshnikov.
Esta é a segunda turnê da Hell's Kitchen e provavelmente será a última. Isso porque a companhia não é permanente. O objetivo do trabalho realizado no BAC, em Nova York, é lançar novos talentos, explicou Baryshnikov. Lá ele promove o intercâmbio entre artistas da dança e das demais formas de arte, além de ajudá-los a lidar com o aspecto comercial da produção artística, que Baryshnikov considera o mais difícil.
O nome da companhia deve-se à localização do BAC, no bairro chamado Hell's Kitchen, considerado a última fronteira de Nova York, muito procurado pelos artistas. ''Também porque o trabalho com a arte tem o prazer e um pouco do inferno'', explicou o bailarino. Cidadão do mundo, que não programa sua vida por um período superior a um ano, Baryshnikov tem projetos em andamento também para o cinema e o teatro. O que não é novidade para ele. No cinema Baryshnikov atuou em Momento de Decisão (1977) e O Sol da Meia-Noite (1986). Também já esteve nos palcos da Broadway, em Metamorfose, de Kafka. Agora pretende aventura-se por Becket.
Ele confessou conhecer muito pouco da dança brasileira, mas garantiu que a música ele conhece bem. Disse que foi criado ouvindo músicos brasileiros como João Gilberto. Na passagem da Hell's Kitchen pelo Rio de Janeiro, onde a companhia apresenta-se no dia próximo dia 20, ele pretende aproximar-se mais da produção artística nacional, em especial o que está sendo produzido pelos jovens. A Hell's Kitchen também se apresentará em São Paulo, nos dias 24 e 25 de julho.
Os ingressos para a Noite de Abertura do Festival de Dança esgotaram no mesmo dia em que a bilheteria foi aberta. Ontem ainda havia disputa por um lugar na platéia do Centreventos Cau Hansen. Alguns ingressos vendidos pela internet e que não tiveram o pagamento confirmado estão sendo colocados à disposição de quem ainda não garantiu o seu. (A repórter viajou a convite da organização do festival)


