Festival de Curitiba se aproxima da arte da América Latina
O diretor Leandro Knopfholz fala dos espetáculos nacionais e internacionais mencionando o FILO, pioneiro nas conexões latino-americanas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de março de 2025
O diretor Leandro Knopfholz fala dos espetáculos nacionais e internacionais mencionando o FILO, pioneiro nas conexões latino-americanas
Janaína Ávila/ Especial para a FOLHA 

CURITIBA - O Festival de Curitiba, que teve sua abertura na segunda-feira (24), faz da cidade um tapete vermelho para o desfile de artistas famosos e já aclamados, que não se negam a selfies no saguão do hotel ou durante a gigantesca festa para os convidados da abertura, com bebida e comida à vontade e show de música para todo mundo dançar madrugada afora.
Em 2025, a organização do Festival celebra o feito de ter na grade de programação montagens de todas as regiões do país e a aproximação com a América Latina, traduzida na participação de artistas da Bolívia, Argentina, Uruguai e aqui, menção honrosa ao Festival Internacional de Londrina, o FILO, pelo diretor Leandro Knopfholz ao lembrar que o cinquentenário festival londrinense é pioneiro nessas conexões latino-americanas.

Com 90% dos ingressos esgotados, principalmente para aqueles da Mostra Lucia Camargo, a organização festeja o crescente interesse da cidade pelo Festival. A expectativa é de pelo menos repetir a excepcional performance dos números do evento no ano passado. Modéstia dos diretores Fabíula Passini e Leandro Knopfholz, que com a entrada do apoio da Prefeitura de Curitiba, para os próximos três anos, prospectam impactos para os próximos anos, com melhorias de espaços para as apresentações, por exemplo.
A galeria de apoios de patrocinadores e de outras esferas do poder público talvez seja um dos grandes triunfos do Festival de Curitiba: os almejados fundos para realizar um grande evento que conquista, a cada ano, a admiração de artistas e outras figuras ligadas à produção cultural.
Para Knopfholz, o Festival sempre tentou ser apolítico e sem ideologia, mas ter pela primeira vez o incentivo das três esferas (municipal, estadual e federal, por meio da Petrobras) é importante para trazer diversos espetáculos e transformar Curitiba em uma vitrine. “Com a presença dessas três instituições, temos a possibilidade de abrir conversas e, com antecedência, fechar acordos bienais e até trienais. Estas parcerias duradouras nos permitem trabalhar com mais tranquilidade e, consequentemente, resultados”, evidencia.
TEMAS CONTEMPORÂNEOS
Apolítico, mas não muito. A extensa programação traz espetáculos que tocam temas bastante sensíveis à contemporaneidade. E ainda bem que é assim, porque um Festival desse porte não poderia se abster de debates urgentes como aqueles ligados ao público LGBTQIAPN+, à violência contra a mulher, à acessibilidade que ganha um espaço grande com a Mostra Surda, temáticas raciais, etarismo, capacitismo, saúde mental e outros tantos pontos sensíveis espalhados pela extensa programação, quase impossível de acompanhar na sua totalidade.
Segmentar o festival em mostras – são 12 e outros “departamentos”, como o Risorama dedicado ao humor, Gastronomix com música e gastronomia, o Guritiba para a criançada, e o Mishmash com suas histórias fantásticas – pode ajudar o público a aproveitar melhor a oferta abundante de linguagens e manifestações artísticas. Um banquete para os sentidos e a justificativa perfeita do tema escolhido para esse ano: “para todos”.
MOSTRA LÚCIA CAMARGO
A Mostra Lúcia Camargo acaba sendo a principal e mais estrelada, marcada pela diversidade e representatividade contemporânea da produção teatral nacional e internacional. Com cerca de 30 espetáculos selecionados, pelo terceiro ano conta com a curadoria da produtora e pesquisadora Daniele Sampaio, da atriz e diretora Giovana Soar e do dramaturgo e crítico teatral Patrick Pessoa. Ainda dentro da Mostra principal, acontece o Interlocuções, com foco em ações formativas indicadas pela própria curadoria e com ações totalmente gratuitas.
TEATRO PARANAENSE
O Festival de Curitiba, embora receba muitas companhias e montagens de todo o Brasil, está bastante paranaense em 2025. Destaque para dois espetáculos inspirados na obra de dois gênios da nossa literatura: “Cabaré Haikai”, sobre a obra de Paulo Leminski, e “Daqui Ninguém Sai”, estreia nacional com o Teatro de Comédia do Paraná, nesta quarta-feira (26), com direção de Nena Inoue e dramaturgia de Henrique Fontes, a partir de mais de 60 textos do ‘Vampiro de Curitiba’.

FRINGE
No Fringe, a mostra aberta sem o crivo de curadoria que ocorre durante o Festival, a maioria dos palcos será tomada por artistas paranaenses, com destaque para Londrina e Maringá, cidades com mostras dedicadas. Na programação, teatro, circo, música, dança e performances de várias partes do Brasil e, esse ano, a participação de um espetáculo dos Estados Unidos e também do Peru, Argentina e Bolívia. Ao todo, são mais de 1,2 mil participantes do Fringe, entre artistas e técnicos, o que faz dele um grande festival dentro do Festival.
A Mostra Lucia Camargo, a Mostra Fringe e o Interlocuções são apresentados por Petrobras, Sanepar, CAIXA e Prefeitura de Curitiba, com patrocínio de CNH Capital – New Holland, EBANX, ClearCorrect – Neodent, SEBRAE, Viaje Paraná – Governo do Estado do Paraná e Copel – Pura Energia, além do patrocínio especial da Universidade Positivo.
* A jornalista viajou a convite do Festival de Curitiba.
SERVIÇO:
33º Festival de Curitiba
Data: de 24 e março a 6 de abril
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.


