CURITIBA - O Festival de Curitiba, que teve sua abertura na segunda-feira (24), faz da cidade um tapete vermelho para o desfile de artistas famosos e já aclamados, que não se negam a selfies no saguão do hotel ou durante a gigantesca festa para os convidados da abertura, com bebida e comida à vontade e show de música para todo mundo dançar madrugada afora.

Em 2025, a organização do Festival celebra o feito de ter na grade de programação montagens de todas as regiões do país e a aproximação com a América Latina, traduzida na participação de artistas da Bolívia, Argentina, Uruguai e aqui, menção honrosa ao Festival Internacional de Londrina, o FILO, pelo diretor Leandro Knopfholz ao lembrar que o cinquentenário festival londrinense é pioneiro nessas conexões latino-americanas.

Leandro Knopfholz e Fabíula Passini, diretores do Festival de Curitiba: espetáculos da Bolìvia, Argentina e Uruguai estão nesta edição
Leandro Knopfholz e Fabíula Passini, diretores do Festival de Curitiba: espetáculos da Bolìvia, Argentina e Uruguai estão nesta edição | Foto: Annelize Tozetto/ Divulgação

Com 90% dos ingressos esgotados, principalmente para aqueles da Mostra Lucia Camargo, a organização festeja o crescente interesse da cidade pelo Festival. A expectativa é de pelo menos repetir a excepcional performance dos números do evento no ano passado. Modéstia dos diretores Fabíula Passini e Leandro Knopfholz, que com a entrada do apoio da Prefeitura de Curitiba, para os próximos três anos, prospectam impactos para os próximos anos, com melhorias de espaços para as apresentações, por exemplo.

A galeria de apoios de patrocinadores e de outras esferas do poder público talvez seja um dos grandes triunfos do Festival de Curitiba: os almejados fundos para realizar um grande evento que conquista, a cada ano, a admiração de artistas e outras figuras ligadas à produção cultural.

Para Knopfholz, o Festival sempre tentou ser apolítico e sem ideologia, mas ter pela primeira vez o incentivo das três esferas (municipal, estadual e federal, por meio da Petrobras) é importante para trazer diversos espetáculos e transformar Curitiba em uma vitrine. “Com a presença dessas três instituições, temos a possibilidade de abrir conversas e, com antecedência, fechar acordos bienais e até trienais. Estas parcerias duradouras nos permitem trabalhar com mais tranquilidade e, consequentemente, resultados”, evidencia.

TEMAS CONTEMPORÂNEOS

Apolítico, mas não muito. A extensa programação traz espetáculos que tocam temas bastante sensíveis à contemporaneidade. E ainda bem que é assim, porque um Festival desse porte não poderia se abster de debates urgentes como aqueles ligados ao público LGBTQIAPN+, à violência contra a mulher, à acessibilidade que ganha um espaço grande com a Mostra Surda, temáticas raciais, etarismo, capacitismo, saúde mental e outros tantos pontos sensíveis espalhados pela extensa programação, quase impossível de acompanhar na sua totalidade.

Segmentar o festival em mostras – são 12 e outros “departamentos”, como o Risorama dedicado ao humor, Gastronomix com música e gastronomia, o Guritiba para a criançada, e o Mishmash com suas histórias fantásticas – pode ajudar o público a aproveitar melhor a oferta abundante de linguagens e manifestações artísticas. Um banquete para os sentidos e a justificativa perfeita do tema escolhido para esse ano: “para todos”.

MOSTRA LÚCIA CAMARGO

A Mostra Lúcia Camargo acaba sendo a principal e mais estrelada, marcada pela diversidade e representatividade contemporânea da produção teatral nacional e internacional. Com cerca de 30 espetáculos selecionados, pelo terceiro ano conta com a curadoria da produtora e pesquisadora Daniele Sampaio, da atriz e diretora Giovana Soar e do dramaturgo e crítico teatral Patrick Pessoa. Ainda dentro da Mostra principal, acontece o Interlocuções, com foco em ações formativas indicadas pela própria curadoria e com ações totalmente gratuitas.

TEATRO PARANAENSE

O Festival de Curitiba, embora receba muitas companhias e montagens de todo o Brasil, está bastante paranaense em 2025. Destaque para dois espetáculos inspirados na obra de dois gênios da nossa literatura: “Cabaré Haikai”, sobre a obra de Paulo Leminski, e “Daqui Ninguém Sai”, estreia nacional com o Teatro de Comédia do Paraná, nesta quarta-feira (26), com direção de Nena Inoue e dramaturgia de Henrique Fontes, a partir de mais de 60 textos do ‘Vampiro de Curitiba’.

Na dramaturgia de "Daqui Ninguém Sai" estão reunidos mais de 60 textos de Dalton Trevisan
Na dramaturgia de "Daqui Ninguém Sai" estão reunidos mais de 60 textos de Dalton Trevisan | Foto: Annelize Tozetto/ Divulgação

FRINGE

No Fringe, a mostra aberta sem o crivo de curadoria que ocorre durante o Festival, a maioria dos palcos será tomada por artistas paranaenses, com destaque para Londrina e Maringá, cidades com mostras dedicadas. Na programação, teatro, circo, música, dança e performances de várias partes do Brasil e, esse ano, a participação de um espetáculo dos Estados Unidos e também do Peru, Argentina e Bolívia. Ao todo, são mais de 1,2 mil participantes do Fringe, entre artistas e técnicos, o que faz dele um grande festival dentro do Festival.

A Mostra Lucia Camargo, a Mostra Fringe e o Interlocuções são apresentados por Petrobras, Sanepar, CAIXA e Prefeitura de Curitiba, com patrocínio de CNH Capital – New Holland, EBANX, ClearCorrect – Neodent, SEBRAE, Viaje Paraná – Governo do Estado do Paraná e Copel – Pura Energia, além do patrocínio especial da Universidade Positivo.

* A jornalista viajou a convite do Festival de Curitiba.

SERVIÇO:

33º Festival de Curitiba

Data: de 24 e março a 6 de abril

Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).

Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.

mockup