Festival de Curitiba quer deixar marcas
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Leandro Nunes<br>Agência Estado 
São Paulo - Após apertar o freio em 2015, com uma edição reduzida, o Festival de Curitiba anuncia sua 25ª edição com mudanças no projeto curatorial, que substituiu Celso Curi, Lucia Camargo e Tânia Brandão pelos diretores Guilherme Weber e Márcio Abreu. O evento, que ocorre entre 22 de março e 3 de abril, traz em sua mostra oficial 35 espetáculos - mesmo número de 2014, e 312 na mostra paralela Fringe. A abertura terá o show poético de Maria Bethânia, em "Bethânia e as Palavras", no Teatro Guaíra.
A dupla estava hesitante no início, Abreu conta que havia a consciência de que o legado do festival trazia consigo uma responsabilidade. "Havia uma limitação", conta Abreu. "Mas decidimos entrar e nos lançar no desafio." Para Weber o histórico do festival justifica o cuidado ao dar continuidade. "A mostra formou plateias e abriu a cabeça das pessoas. Mas um festival também se faz de repertórios pessoais", conta Weber. A fim de oxigenar o posto de curadoria, a dupla antecipou que pretende passar o bastão em até quatro anos.
Com quatro estreias nacionais, o Festival aposta em dois espetáculos locais, "Nuon", da companhia Ave Lola Trupe de Teatro, e "La Cena", trabalho da G2 Companhia de dança. Os cariocas aparecem com "MÓ" - Dramaturgias em Dança e Desenhos de Comunidade e, por último, o monólogo "Grãos da imagem: Vaga Carne" da atriz, dramaturga e diretora Grace Passô.
Na lista de montagens internacionais, o festival traz o intercâmbio de artistas brasileiros radicados em outros países, como "Parallel Song", de Fernanda Farah e Chico Mello, que residem em Berlim; "La Bête (O Bicho)" do performer e coreógrafo Wagner Schwartz, e o uruguaio "Tebas Land", de Sergio Blanco, que, inspirado no mito de Édipo, confina dois homens em algo semelhante a um campo de concentração.
Outro recorte traz espetáculos que apresentam visões do Brasil, como "Vozes Dissonantes", da Denise Stoklos, além do novo trabalho da Cia Teatro Balagan "Cabras - Cabeças que Voam, Cabeças que Rolam" e a dramaturgia manguebeat de "Caranguejo Overdrive d'Aquela Cia", dos cariocas Marco André Nunes e Pedro Kosovski.
Entre outras preocupações houve o desejo de que o evento fizesse marcas profundas em Curitiba e em seus artistas. "Queremos que o festival tenha caráter menos eventual, que deixe vestígios na cidade." Essa intenção se manifesta na escolha de espetáculos e montagens que dialogam com a cidade. Maior exemplo são os espetáculos paulistas que entram na grade, com o "Orgia ou De Como os Corpos Podem Substituir as Ideias", da Cia. Kunyn, encenado no Parque Trianon, na Avenida Paulista, e "Cidade Vodú", do Teatro de Narradores, que trata a imigração de haitianos em São Paulo. A venda dos ingressos começa hoje.
Serviço
Festival de Curitiba
Quando De 22 de março a 3 de abril
Onde - Vários teatros
Quanto De R$ 6 a R$ 70
Pontos de venda A partir de hoje, em quiosques nos shoppings Mueller, Palladium, ParkShoppingBarigüi e Pátio Batel, e em www.festivaldecuritiba.com.br


