O Festival de Curitiba entra em seu final de semana derradeiro. As últimas estréias da Mostra de Teatro Contemporâneo ocorrem hoje, num total de três, sendo que uma delas nacional. Trata-se de ''Cruel'', o mais recente trabalho da Cia. Deborah Colker, uma das mais celebradas companhias de dança moderna e contemporânea do Brasil.
Os temas clássicos voltam a ser explorados nesta montagem, que tem o intuito de promover uma volta às raízes da coreógrafa e bailarina que dá nome à companhia. No entanto, as características típicas do grupo estão presentes, como a movimentação ágil e a exploração preciosa do espaço.
Adaptado do livro homônimo de Loureço Mutarelli, cultuado quadrinhista brasileiro que hoje se dedica à literatura, cinema e teatro, ''O Natimorto'' é o mais novo trabalho de Mário Bortolotto, diretor londrinense radicado em São Paulo. Trazendo o subtítulo ''Um Musical Brasileiro'', a história se concentra em um agente artístico que não age e uma cantora que não canta.
No guia do festival, a peça é classificada como drama, mas para quem conhece a obra do autor, sabe que a ironia, o sarcasmo e as situações desconcertantes são pontos fortes do texto original. ''É um espetáculo que tem muito humor. O próprio Mutarelli se espantou em ver tanta gente rindo de um texto escrito por ele'', revela Bortolotto, que não poderá comparecer ao festival pois está em cartaz, como ator, em outro espetáculo em São Paulo.
''Salmo 91'', a terceira estréia do dia, tem diversos chamarizes que levaram seus ingressos a se esgotar rapidamente. Indicado a três prêmios Shell (autor, direção e ator), o espetáculo é uma adaptação do livro ''Estação Carandiru'', de Drauzio Varella. É composto por dez monólogos de cinco atores, que interpretam personagens que foram vistos no filme ''Carandiru'', como Nêgo-Preto, Bolacha (Sem Chance), Zé da Casa Verde (Majestade), entre outros. Vida carcerária, futebol, religião e a rebelião que resultou no massacre de 111 detentos são pontos marcantes da montagem.

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