Dramas, comédias e documentários que abordam de maneira diversa o universo da cultura judaica estão reunidos no 3º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, que começa hoje e vai até o próximo domingo no Museu da Imagem e do Som e na Hebraica. São 16 filmes em competição, dos quais haverá só um vencedor (que receberá R$ 2.500 e troféu confeccionado pela artista plástica Lecy Beltran), e uma mostra de três trabalhos do cineasta Alan Berliner. O que vai definir o vencedor, segundo a diretora do evento, Daniela Wasserstein, é a melhor abordagem da temática judaica, que não se restringe à questão religiosa. Ela diz que o festival selecionou filmes que tocassem à identidade judaica como um todo: ‘‘o pensamento, o modo de ser’’.
Afinal, como afirma a diretora, o objetivo do festival é alcançar o público paulistano em geral. ‘‘Queremos mostrar o que há de bom dentro dessa temática.’’
São Paulo entra, assim, no circuito de festivais internacionais que se dedicam exclusivamente a esse assunto, como os que acontecem em San Francisco, Melbourne, Londres, Toronto e Montreal. Um dos destaques do evento em São Paulo é ‘‘Wild Man Blues’’, documentário que mostra o diretor Woody Allen durante uma turnê com sua banda de jazz pela Europa (leia texto nesta página). O filme abre o festival hoje, às 20h30, para convidados, e será exibido para o público no domingo. Outro destaque é o vencedor do Oscar de melhor documentário deste ano, ‘‘O Longo Caminho para Casa’’, de Mark Harris.
Todos os filmes são inéditos nas salas brasileiras. A exceção fica para ‘‘Mestiça’’, comédia de Mathieu Kassovitz (de ‘‘O Ódio’’), exibida pela Mostra Internacional de Cinema. Outro que já pôde ser visto no Brasil é ‘‘Coragem e Esperança’’, lançado só em vídeo.
O Festival de Cinema Judaico deste ano traz filmes de países como França, Alemanha e Israel. O Brasil, que na primeira edição do evento, em 96, compareceu com ‘‘O Judeu’’, este ano está ausente.
Segundo a curadora do festival Alessandra Silvestri, o filme que representaria o país, ‘‘Um Sonho no Caroço do Abacate’’, ficou de fora da programação porque não foi finalizado a tempo. Silvestri diz que eventos como este favorecem a imagem de São Paulo no exterior. ‘‘Produtores ficam satisfeitos em saber que a cidade promove festivais assim.’’
O MIS fica na avenida Europa, 158, região sudoeste. Mais informações sobre o festival podem ser obtidas pelo telefone (011) 282-8074. A Hebraica - sala Arthur Rubinstein, que também promove o festival de cinema, se localiza na rua Hungria, 1.000, região sudoeste, telefone (011) 818-8800. A entrada é franca.

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