Festival de Cinema Francês Varilux: um tributo a Alain Delon
De 7 a 20 de novembro, mostra de cinema completa 15 anos exibindo 20 títulos; nesta edição haverá homenagem ao ator que faleceu em agosto
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quarta-feira, 16 de outubro de 2024
De 7 a 20 de novembro, mostra de cinema completa 15 anos exibindo 20 títulos; nesta edição haverá homenagem ao ator que faleceu em agosto
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

Passada a tormenta da pandemia, os eventos artísticos felizmente ressurgem em seus calendários plenamente de volta à rotina, e se estabilizando em busca de longa vida. Como é o caso do Festival Varilux de Cinema Francês, este ano em décima-quinta edição com seu habitual programa de títulos inéditos, a princípio alguns mais, outros menos interessantes. O mais importante, neste acaso, é a veiculação de filmes que chegam ao Brasil em viés europeu, na contramão da sempre forte e frequentemente abusada produção estadunidense, mantendo aberta importante janela que busca ocupar espaços através da diversificação – temática, estética, econômica, cultural enfim.
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No próximo mês, entre os dias 7 e 20, cerca de uma centena de salas espalhadas em mais de 60 cidades no país vão exibir exemplares da mais recente safra da produção francesa. Além do ineditismo, há ainda o aval das bem sucedidas carreiras comerciais e dos filmes que estarão aqui em trânsito, além da boa repercussão crítica, da simpática acolhida e da seleção de prêmios em festivais internacionais de prestígio.
Diga-se ainda, a favor da seleção Varilux, que cerca de uma dezena de empresas brasileiras trabalha neste momento exclusivamente com a distribuição desta produção cinematográfica alternativa e independente, e não somente europeia, abastecendo salas especializadas – em Londrina os cines Ouro Verde, Villa Rica e salas Cineflix do Shopping Aurora, a propósito, o multiplex que exibe anualmente as realizações do Varilux. Os promotores do evento no Brasil anunciaram até o momento apenas cinco dos 20 títulos que compõem a lista do selecionados: “O Conde de Monte Cristo”, “A Fanfarra”, “A História de Souleymane”, a animação “Selvagens” e “Daaaaaalí !”

DELON PARA NÃO ESQUECER
Quando Alain Delon morreu, em agosto passado, aos 88, deixou um legado de dezenas de filmes, a maioria de muito sucesso. Mas foi sua atuação em “Plein Soleil”, de René Clément, de 1960, baseado no romance de Patricia Highsmith, que o tornou uma estrela e um ator. O texto de Highsmith foi adaptado novamente quase 40 anos depois nos Estados Unidos como “O Talentoso Mr. Ripley”, e ano passado em “Ripley”, na Netflix. Ele era Tom Ripley, um jovem pobre, mas muito perspicaz, que se encontrou com amigos ricos e amorais e se vingou deles. A imagem de Delon na tela era fascinante: olhos azuis brilhantes, cílios longos, cabelos que caíam sobre a testa, a boca atrevida, a postura curvada, o porte angelical que podia mudar instantaneamente. Para muitos espectadores, ele lembrou James Dean, o jovem ídolo do cinema americano que morrera tragicamente em 1955. Há quem afirme que seu estrelato foi sacramentado no momento em que Ripley tira a camisa e expõe o peito.
O filme estará na linha de frente do Varilux deste ano, como justíssima homenagem ao ator que se transformou em lenda do cinema, e não apenas do cinema francês.


