Passada a tormenta da pandemia, os eventos artísticos felizmente ressurgem em seus calendários plenamente de volta à rotina, e se estabilizando em busca de longa vida. Como é o caso do Festival Varilux de Cinema Francês, este ano em décima-quinta edição com seu habitual programa de títulos inéditos, a princípio alguns mais, outros menos interessantes. O mais importante, neste acaso, é a veiculação de filmes que chegam ao Brasil em viés europeu, na contramão da sempre forte e frequentemente abusada produção estadunidense, mantendo aberta importante janela que busca ocupar espaços através da diversificação – temática, estética, econômica, cultural enfim.

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No próximo mês, entre os dias 7 e 20, cerca de uma centena de salas espalhadas em mais de 60 cidades no país vão exibir exemplares da mais recente safra da produção francesa. Além do ineditismo, há ainda o aval das bem sucedidas carreiras comerciais e dos filmes que estarão aqui em trânsito, além da boa repercussão crítica, da simpática acolhida e da seleção de prêmios em festivais internacionais de prestígio.

Diga-se ainda, a favor da seleção Varilux, que cerca de uma dezena de empresas brasileiras trabalha neste momento exclusivamente com a distribuição desta produção cinematográfica alternativa e independente, e não somente europeia, abastecendo salas especializadas – em Londrina os cines Ouro Verde, Villa Rica e salas Cineflix do Shopping Aurora, a propósito, o multiplex que exibe anualmente as realizações do Varilux. Os promotores do evento no Brasil anunciaram até o momento apenas cinco dos 20 títulos que compõem a lista do selecionados: “O Conde de Monte Cristo”, “A Fanfarra”, “A História de Souleymane”, a animação “Selvagens” e “Daaaaaalí !”

Alain Delon em "O Sol por Testemunha", de René Clément, de 1960, baseado no romance de Patricia Highsmith, depois novamente adaptado como "O Talentoso Mr. Ripley"
Alain Delon em "O Sol por Testemunha", de René Clément, de 1960, baseado no romance de Patricia Highsmith, depois novamente adaptado como "O Talentoso Mr. Ripley" | Foto: Divulgação

DELON PARA NÃO ESQUECER

Quando Alain Delon morreu, em agosto passado, aos 88, deixou um legado de dezenas de filmes, a maioria de muito sucesso. Mas foi sua atuação em “Plein Soleil”, de René Clément, de 1960, baseado no romance de Patricia Highsmith, que o tornou uma estrela e um ator. O texto de Highsmith foi adaptado novamente quase 40 anos depois nos Estados Unidos como “O Talentoso Mr. Ripley”, e ano passado em “Ripley”, na Netflix. Ele era Tom Ripley, um jovem pobre, mas muito perspicaz, que se encontrou com amigos ricos e amorais e se vingou deles. A imagem de Delon na tela era fascinante: olhos azuis brilhantes, cílios longos, cabelos que caíam sobre a testa, a boca atrevida, a postura curvada, o porte angelical que podia mudar instantaneamente. Para muitos espectadores, ele lembrou James Dean, o jovem ídolo do cinema americano que morrera tragicamente em 1955. Há quem afirme que seu estrelato foi sacramentado no momento em que Ripley tira a camisa e expõe o peito.

O filme estará na linha de frente do Varilux deste ano, como justíssima homenagem ao ator que se transformou em lenda do cinema, e não apenas do cinema francês.

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