Festival de Berlim começa amanhã com o Brasil fora de concurso
São Paulo, 09 (AE) - Começa mais uma disputa pelo Urso de Ouro e, desta vez, o Brasil não está no páreo. Um ano após a vitória de "Central do Brasil" no Festival de Berlim, o cinema brasileiro volta à Berlinale fora de concurso, participando apenas de seções paralelas do 49.º festival, que rola até o dia 21. Além dos filmes do mercado, há duas produções brasileiras participando da programação oficial: "Um Copo de Cólera", que Aluizio Abranches realizou baseado em Raduam Nassar, passa na mostra intitulada Panorama. E "Reunião dos Demônios", de Antônio Cecílio Neto, integra o programa do 22.º Festival do Cinema Infantil.
Há 33 filmes na mostra oficial, mas apenas 25 participam da competição. O programa será aberto amanhã (10) com "Aimee & Jaguar", de Max Farberbock, da Alemanha. Quinta-feira, passam mais dois competidores: "Karnaval", de Thomas Vincent, da França, e "Entre las Piernas", de Manuel Gómez Pereira, da Espanha. Na sexta, será exibido o primeiro competidor americano de peso: "Além da Linha Vermelha", de Terrence Malick, que também está selecionado para o Oscar. Outro filme que concorre ao Oscar, "Shakespeare Apaixonado", de John Madden, da Inglaterra, passa no domingo.
Diretores importantes participam da seleção oficial: o francês Bertrand Tavernier, que ganhou o Urso de Ouro por "A Isca", em 1995, concorre com "Ça Commence Aujoudhui"; Claude Chabrol, também da França, concorre com "Au Coeur du Mensonge"; David Cronenberg, do Canadá, com "Existenz"; e Stephen Frears, da Inglaterra, com "The Hi-lo Country". Um mestre e seu discípulo estarão na disputa do Urso de Ouro: Robert Altman, dos Estados Unidos, vai concorrer com "Cookies Fortune", e o também americano Alan Rudolph com "Breakfast of Champions".
Fora de concurso, serão exibidos os novos filmes de Wim Wenders (Buena Vista Social Club) e Robert Rodriguez (The Faculty). Há competidores da Dinamarca (Mifune, de Soren Kragh-Jacobsen, terceira produção do Dogma), do Japão (Keiho, de Yoashimitsu Morita), de Portugal (Glória, de Manuela Vargas), da Turquia (Journey to the Sun, de Yesim Ustaoglu) e do Vietnã (Three Seasons, de Tony Bui). Homenagem - Duas vezes vencedora do Urso de Prata da melhor interpretação feminina (por Elas Querem É Casar, de 1959, e Desperate Characters, de 1971), Shirley MacLaine recebe este ano o Urso de Ouro de carreira, um prêmio especial por sua contribuição à arte e ao desenvolvimento do cinema. A atriz será homenageada com uma retrospectiva formada por 12 de seus filmes, entre eles "O Terceiro Tiro", de Alfred Hitchcock, "Deus Sabe Quanto Amei", de Vincente Minnelli, "Se Meu Apartamento Falasse" e "Irma la Douce", de Billy Wilder, "Can-Can", de Walter Lang, e "Laços de Ternura", de James L Brooks (que lhe valeu o Oscar).
Mas a grande retrospectiva do Festival de Berlim é a que vai homenagear Otto Preminger. Um dos maiores diretores de Hollywood nos anos 50 e 60, Preminger sofreu um processo vertiginoso de decadência nos 70, que muito prejudicou sua reputação. Mas a grande fase de sua carreira é permeada de clássicos que serão mostrados em Berlim. Muitos desses filmes ajudaram a libertar o cinema americano da censura do Código Hays, que disciplinava o uso do sexo e da violência nas produções de Hollywood: "Laura", "O Homem do Braço de Ouro", "Bom-Dia Tristeza", "Anatomia de Um Crime", "Exodus", "Bunny Lake Desapareceu". Um momento especial será a projeção de "Porgy e Bess" na versão restaurada, captando toda a complexidade e a beleza da obra adaptada da ópera de Gershwin.





