A 58ª edição da Festival de Cinema de Berlim, que começa amanhã, terá presença brasileira: a produção Tropa de Elite, dirigida por José Padilha, concorre ao Urso de Ouro com outros 20 filmes de várias partes do mundo.
Para o diretor José Padilha, a seleção de Tropa de Elite para a mostra competitiva do Festival de Berlim tem um doce sabor de revanche. No Brasil, o filme foi visto por cerca de 2,5 milhões de espectadores nos cinemas e multiplicou este número por quase seis no chamado mercado ''informal'', pois Tropa de Elite virou um fenômeno de pirataria muito antes de estrear nas salas.
Tudo isso e mais a violência do filme, seu olhar sobre o Bope, Batalhão de Operações Especiais, e a criação de um personagem como o Capitão Nascimento - que, somado ao Olavo da novela Paraíso Tropical, transformou o ator Wagner Moura no homem do ano -, fez de Tropa de Elite uma obra muito polêmica por seu significado político e sociológico, mas cinema, mesmo, pouca gente se preocupou em dissecar a construção dramática e a simetria audiovisual, ou ainda a montagem de Tropa de Elite.
Para Padilha, a ida a Berlim recoloca as coisas nos eixos. Como Zagallo que, vitorioso, dizia que a torcida brasileira ia ter de aguentá-lo, o diretor de Tropa de Elite espera que agora, finalmente, seu filme seja valorizado, ou debatido, como cinema. ''O público de Berlim não tem o envolvimento do brasileiro em relação ao assunto. Aqui, o Capitão Nascimento virou um herói, embora ele não tenha sido concebido, nem desenvolvido, desta maneira. Estou muito curioso para saber como vai ser a recepção do filme em Berlim.''
Wagner está cheio de expectativa em relação a Berlim. Ele já foi a Cannes com Cidade Baixa, de Sérgio Machado, no qual dividia a cena com Alice Braga e Lázaro Ramos. Alice fez a festa na Croisette. Talvez tenha sido ali que ela catapultou sua carreira internacional. E Wagner? ''Quero ver, conhecer, sou muito curioso. Pelo que me diz o Zé (Padilha), acho que o filme já está acontecendo por lá.''
No Brasil, houve quem (quais críticos?) dissesse que o filme era ‘vazio’. Padilha vangloria-se de que seu filme ‘vazio’ seja tema de mais de duas dezenas de teses (que ele conheça, inclusive no exterior). Seu sonho é ver o filme no Oscar. Mas, de todas as categorias, a que mais o recompensaria seria ver Wagner Moura indicado para melhor ator.

mockup