Um giro pelo Brasil comemorou, nesta temporada, os 15 anos de atividades do grupo Ballet de Londrina. A turnê, que se estendeu ao Peru, culmina hoje com uma apresentação no 6º Festival de Dança, do qual é anfitrião. Os bailarinos levam para o palco do Teatro Ouro Verde o espetáculo ‘‘Decalque’’, última montagem da companhia e com a qual viajou pelo país.
  A apresentação começa às 20 horas, abrindo o programa da noite que traz ainda outra produção local, o projeto Indícios do Corpo Pós-Moderno com a coreografia ‘‘A quem interessar possa...’’. O aniversário de uma década e meia de atuação do Ballet de Londrina foi marcado também pela promoção de uma ‘‘Virada Cultural’’, no início de setembro, no Parque Ney Braga, inspirada no evento homônimo de São Paulo, seguida de um baile.
  A companhia é dirigida por Leonardo Ramos, que também é coordenador geral do Festival. ‘‘Do primeiro dia até agora, tivemos uma trajetória ascendente. Quando foi criado, o Ballet já era diferente porque nasceu como uma companhia pública de dança. Na época, não havia isso em cidades do interior’’, diz ele. Outra caractrística marcante, segundo o diretor, é sua integração no ambiente cultural do município.
  ‘‘Estivemos sempre extremamente interligados com outras áreas e iniciativas artísticas, como o Festival de Teatro e o Festival de Música, além de buscar parcerias com artistas locais, como o compositor Marco Tureta’’, assinala. Atualmente, o elenco do Ballet reúne 12 bailarinos e seu currículo destaca 22 espetáculos, 10 turnês nacionais e 8 viagens internacionais totalizando mais de 450 apresentações.
  A montagem que apresenta hoje no Festival estreou no Filo (Festival Internacional de Londrina) do ano passado. É considerada um ‘‘divisor de águas’’ no percurso do grupo. Inspirada na tragédia ‘‘Romeu e Julieta’’, de Shakespeare, a coreografia levou adiante pesquisas em torno dos movimentos dos bailarinos esboçadas em espetáculos anteriores como ‘‘Prazeres’’ (2005) e ‘‘Fale Baixo’’ (2006).
  A proposta consiste em trabalhar novos e diferentes eixos de equilíbrio e apoios para locomoção, o que se tornou um desafio para o elenco, cujos corpos são solidamente formados na vertical através de anos de estudos de balé clássico. Em ‘‘Decalque’’, os bailarinos se deslocam quase o tempo todo na horizontal. Os pés deixam de ser os únicos meios para se movimentar em cena, sendo substituídas por joelhos, cotovelos, braços, dorsos e quadris.
  Mais do que a famosa história do casal apaixonado de Verona, foi na música ‘‘Romeu e Julieta’’, de Prokofiev (1891-1953), que o grupo identificou a energia do movimento investigado. A narrativa imortalizada por Shakespeare serviu ‘‘apenas’’ como substrato para a construção da coreografia. ‘‘É nosso espetáculo que mais recebeu comentários e críticas da imprensa nacional, felizmente todas as positivas. Não caímos na asneira de dizer que criamos algo inédito ou de vanguarda, mas conquistamos destaque pelo modo como fizemos o arranjo mostrando singularidade e identidade’’, salienta o diretor.
  Na seqüência de ‘‘Decalque’’, o público irá conhecer um projeto promovido pelo Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina e realizado pelos alunos do curso de Artes Cênicas que resultou na coreografia ‘‘A quem interessar possa...’’. A montagem, coordenada pelo bailarino Aguinaldo de Souza, conta com seis atores-bailarinos que buscam intensamente a relação com a gravidade.

SERVIÇO

-6º Festival de Dança de Londrina – Espetáculos ‘‘Decalque’’, com o Ballet de Londrina, e ‘‘A quem interessar possa...’’, do projeto Indícios do Corpo Pós-Moderno
Quando – Hoje, às 20h
Onde – Teatro Ouro Verde
Quanto – R$ 5 e R$ 2,50 (meia para estudantes e aposentados)
Pontos de venda – Escola Municipal de Dança (R. Souza Naves, 2.380) e Shop Ballet (Shopping Pio XII)

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