Festival aponta caminhos para INCLUSÃO SOCIAL
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para algumas mitologias, a música foi dada aos homens pelos deuses, mas aos estudiosos modernos qualquer inovação musical pode ser seguida de uma revolução política e moral. Pesquisadores defendem que a música tem influência sobre o comportamento humano e consegue reverberar por toda uma nação. A música tem transformado a vida de crianças e jovens, que participam de projetos como os da Associação Meninos do Morumbi, em São Paulo, e Projeto Villa-Lobinhos, no Rio de Janeiro.
Em meio às preocupações sobre o patrocínio de R$ 200 mil para o Festival de Música de Londrina (FML), depois da negativa do governo do Estado em repassar R$ 350 mil ao Festival Internacional de Londrina (FILO), o que demonstra a quantas anda a valorização da política cultural, a 27 edição do FML começará quinta-feira, com a realização do 13º Simpósio Paranaense de Educação Musical (SPEM), reunindo educadores e estudantes de música em torno do tema ''Educação Musical e Políticas Inclusivas''.
O evento traz ao festival a antropóloga, Regina Novaes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que abrirá o simpósico com a conferência ''Políticas inclusivas e a formação do educador musical'', a partir das 9h30, no Espaço Caixa, na Associação Médica de Londrina, Praça 1º de Maio. Graduada em Ciências Sociais pela UFRJ e doutora em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (USP), Regina orientou pesquisas de iniciação científica, dissertações e teses sobre movimentos sociais, juventude, religião, cultura, cidadania e violência.
A antropóloga foi secretária nacional de Juventude - adjunta e presidente do Conselho Nacional de Juventude. Atuamente é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvendo o Projeto Juventude e Expressões Culturais.
''Na universidade existe uma tradição de trabalhar com o conhecimento acumulado historicamente - o que não deixa de ser válido - porém, é preciso romper com essa delimitação, não podendo desprezar o que a humanidade conseguiu como conhecimento, mas no mundo globalizado, isso se ampliou para os grupos sociais que precisam ser estudados pelas universidades. As instituições de ensino estão tentando caminhar nesse sentido, mas ainda falta muita coisa'', afirma a musicista londrinense Magali Kleber, que integra a equipe de organização do simpósio.
Em sua tese de doutorado sobre Organizações Não-governamentais, movimentos sociais e processo pedagógico-educação musical, Magali conheceu o trabalho da Associação Meninos do Morumbi e do Projeto Villa-Lobinhos. Ela ressalta que a discussão proposta pelo simpósio precisa ser contraposta à violência urbana, apontando o papel dos educadores.
Porém, ainda existe muito preconceito em relação à discussão.''O preconceito é algo que a gente vem quebrando aos poucos, mas a violência urbana está materializada em todos os espaços. A universidade tem conhecimento, mas os cursos de licenciatura não têm levado essa discussão para dentro das salas de aula. A violência no Esino Fundamental é grande, mas não é problematizada na sala de aula. Hoje, qualquer curso de licenciatura teria que discutir isso'', destaca Magali ao apontar a importância da tema.
O simpósio, que vai até sábado, ainda terá uma mesa redonda na sexta-feira, a partir das 9 horas, no Centro de Comunicação e Artes (CECA-UEL), sobre ''A diversidade dos contextos socioculturais e implicações na formação do educador musical'', com a participação de Carlos Sandroni, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Lucas Ciavatta, da Escola Oga Mitá e Magali Kleber.
Com um orçamento total previsto em R$ 850 mil, o FML envolverá Londrina com 80 apresentações musicais em teatros, shoppings, universidades, igrejas, escolas, creches, asilos, empresas e presídios, estendendo também a 20 cidades da região. No sábado, a Orquestra da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL) realiza, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, o concerto de encerramento do SPEM em que fará uma homenagem aos 120 anos de nascimento de Heitor Villa-Lobos (1887-1959).
Destaque para os solistas, o pianista Marco Antônio de Almeida, que também é diretor artístico do FML, e a soprano Mirna Rubim, do Rio de Janeiro. O programa será reapresentado na abertura oficial do festival no domingo, às 20h30, no Ouro Verde. Será a primeira de uma série de homenagens do FML, que inclui tributos a Camargo Guarnieri, Ronaldo Miranda, Noel Rosa e Tom Jobim.


