Festival Anima Mundi reúne o melhor do desenho animado
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sábado, 26 de junho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 27 (AE) - Julho vai ser o mês do desenho animado. Primeiro no Rio e depois em São Paulo. Entre os dias 9 e 18 será realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e no Espaço Cultural dos Correios a sétima edição carioca do festival Anima Mundi, com a exibição de mais de 400 filmes e vídeos. Haverá também workshops e palestras de produtores e diretores, além de cursos para iniciantes, que poderão fazer filme de animação. Em São Paulo, entre os dias 21 a 25, vai ocorrer a terceira edição do festival, no Museu da Imagem e do Som (MIS) e no Espaço Unibanco.
"Este ano é um marco para o Anima Mundi, pois tivemos 70 trabalhos brasileiros inscritos contra 27 no ano passado", comemora César Coelho, um dos criadores da mostra e seu curador até hoje, ao lado de Aída Queiróz, sua sócia numa produtora de animação, Léa Zagury e Marco Magalhães, que atualmente moram nos EUA. "E muitos desses 70 animadores fizeram seu primeiro trabalho conosco, em outras edições do Anima Mundi."
Dos inscritos, 48 foram selecionados para exibição em diversas mostras e, apesar de as técnicas de animação serem variadas, todos têm o humor como ponto comum.
Sucesso internacional - Mas as novidades desse ano vêm de fora também, com desenhos da Croácia, Turquia, Coréia e Hong Kong, estreantes no festival. Ao lado de visitantes tradicionais
como os canadenses, os americanos, os checos, ingleses e franceses, que mandaram desenhos tanto para a mostra oficial (de onde sai um desenho vencedor escolhido pelo público) quanto para as paralelas, que este ano se dividiram entre os pioneiros da animação e os contemporâneos. "Conseguimos muitos desenhos porque vamos a festivais de todo o mundo e, como o nosso já é conceituado, recebemos muitas propostas também", diz Coelho.
Como sua opinião não interfere na premiação da mostra oficial, ele se sente à vontade para escolher seu filmes preferidos. Em animação tradicional (ou seja, desenho feito em computador ou à mão) ele cita o irlandês "Midnight Dance", de John McCoskey; o checo "For Ever and Ever", de Micaela Pávlátova; e "Surprise Cinema" e "The Exciting Life of a Tree", ambos de Bill Plinton, ex-cartunista do Washington Post e hoje um apaixonado pela animação. Em stop motion (técnica de filmar objetos maleáveis ou não), Coelho recomenda os brasileiros" Amassa Que Elas Gostam", de Fernando Coster, e o norte-americano "More", de Mark Osborne, que concorreu ao Oscar de 1999.
Primeiro desenho - O workshop, no Rio e em São Paulo, será feito por Mike Melzer, da equipe de Tim Burton ("O Estranho Mundo de Jack"), que agora trabalha em "Dinossauros"
produção da Disney para 2000. Especialista em stop motion, ensinará tecnicas de iluminação de cena e construção de bonecos. "Melzer falará para quem domina alguma técnica, mas os iniciantes poderão sair com seu primeiro desenho" avisa Coelho. Este ano, foi criado também o Papo Animado com retrospectiva e palestras. A grande estrela é o americano Eric Darnell (co-diretor de "FormiguinhaZ"), ao lado da inglesa Joanna Quin
do francês Jacques Rémi e do brasileiro Wilson Lazaretti, do Núcleo Animação de Campinas.
O número de lugares disponíveis nas salas de exibição foi dobrado. Serão 495 lugares, cinco salas, com sessões das 12 às 20 horas, ao preço de R$ 3,00 para os filmes e R$ 1,50 para os vídeos. "Criamos a Praça Animada, com telão ao ar livre entre os Correios e a Casa França-Brasil e capacidade para outras 500 pessoas", informa Coelho. A Petrobrás patrocina o evento no Rio e em São Paulo.


