FESTIVAL
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quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>Especial para a Folha 2 
Era mesmo de se esperar, a divisão entre aplausos calorosos e vaias enérgicas no momento da revelação de melhor longa do 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Em decisão corajosa (e contestada por parte da platéia) o júri optou por dar o Troféu Candango ao pernambucano Baixio das Bestas, que ainda recebeu o prêmio de 80 mil reais.
O filme de Cláudio Assis, sem maiores sutilezas, reiterando o estilo ríspido de Amarelo Manga (também premiado em Brasília há quatro anos), mas com impressionante vigor, percorre incômodo caminho de imagens impactantes por sua violência literalmente nua e crua para chegar a seus principais focos: um país contaminado nas entranhas sociais e morais, e uma sociedade que faz das mulheres um instrumento de misoginia levada a extremos de crueldade. Levou ainda prêmios de melhor atriz (Mariah Teixeira), ator e atriz coadjuvante (Irandhir Santos e Dira Paes) e trilha sonora (Pupilo, baterista do grupo Nação Zumbi)
A outra opção, defendida por parte do júri e do público, foi Batismo de Sangue, o vigoroso retrato de um episódio político-social - o engajamento de freis dominicanos na luta armada contra a ditadura militar, no final dos anos 1960. O filme ficou com os prêmios de melhor direção (Helvécio Ratton) e fotografia (Lauro Escorel). Uma terceira produção também não esquecida foi Querô, que garantiu os prêmios para roteiro (Carlos Cortez), direção de arte e som. O quarto a ser lembrado pelo júri oficial foi O Engenho de Zé Lins, de Vladimir Carvalho, que recebeu o Prêmio Especial do Júri e o de melhor montagem.
O júri popular fez sua escolha pelo ótimo documentário de Silvio Tendler, Encontro com Milton Santos ou O Mundo Globalizado Visto do Lado de Cá, sobre as perversidades da globalização. E o veredito do júri da crítica bateu com o oficial, consagrando Baixio das Bestas como o melhor entre os longas. Entre os curtas, o melhor para o júri oficial foi o mineiro Trecho. E para o júri popular a escolha recaiu em O Homem-Livro.
Confira a lista completa dos vencedores do Festival de Brasília no site www.folhadelondrina.com.br


