FESTIVAL - Vigorosa diversidade étnica
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> De Joinville, SC 
Depois de 12 anos sem vir ao Brasil, o Ballet du Grand Théâtre Genève, da Suíça, brilhou anteontem na Noite de Gala do 22º Festival de Dança de Joinville, que prossegue até o dia 31. Um público de mais de quatro mil pessoas lotou o anfiteatro do Centreventos Cau Hansen, e se rendeu à beleza das três coreografias contemporâneas apresentadas pelo grupo, em linguagens bem distintas. Antes de Joinville, a companhia esteve no Rio de Janeiro hoje e amanhã se apresenta no Teatro Alfa, em São Paulo.
A mesma diversidade de etnias característica da companhia que atualmente é composta por 23 bailarinos de 14 nacionalidades (três são brasileiros) também ficou evidente no repertório escolhido para Joinville. Como não trabalham com coreógrafo residente, desta vez mostraram o resultado de montagens elaboradas por três profissionais de países distintos: um espanhol, um japonês e um grego. Quem teve a oportunidade de assistir ao espetáculo, pôde sentir o quanto essa miscelânea de estilos foi proveitosa.
Na primeira parte do programa, foi apresentado ''Remansos'', de Nacho Duato, coreografia de 25 minutos inspirada no universo literário de Garcia Lorca. O uso dinâmico do espaço, linhas geométricas e movimentos vigorosos integraram os seis bailarinos ao ritmo de ''Valsas Poéticas'', de Enrique Granados.
Depois, seguiu-se ''Para-Dice'' que faz um trocadilho com as palavras em inglês paradise (paraíso) e dice (dados) e mostra o trabalho do coreógrafo Saburo Teshigawara que explora as ilusões e remete à definição da própria arte da dança. Com 22 minutos, a coreografia integrou oito bailarinos, com trilha sonora de Willi Bopp.
Na última parte do espetáculo, ''Selon Désir'', de Adonis Foniadakis, ficaram evidentes o impacto e complexidade da música de Bach, com a abertura do Coro da Paixão de São Mateus. Bastante poética, a coreografia, de 22 minutos de duração, explorou as noções de céu e inferno, fé, martírio, dor, exaltação e passou a idéia do contraste entre a elevação espiritual e a energia da terra, representada nos corpos entrelaçadas dos 15 bailarinos.
Os bailarinos mostraram vigor físico nas performances exigidas pelas coreografias. Vale destacar o desempenho da brasileira Fernanda Barbosa. Carioca, Luciana está há quatro anos na companhia e quando tinha dez anos participou do Festival de Dança de Joinville. Além dela, fazem parte do companhia os brasileiros Bruno Cezario e Luciana Reolon.
Em entrevista coletiva, o diretor do grupo, Philipp Cohen, destacou que o trabalho com estrangeiros é fundamental para o desenvolvimento da criação artística. ''É algo enriquecedor. Defendo fortemente esse tipo de proposta. Antes de trabalhar em Genebra, dirigi por 13 anos o Balé de Lyon, na França, e extrapolei a cota para a inclusão de estrangeiros'', ressaltou.
Sobre a opção de não ter um diretor fixo na companhia, Cohen disse tratar-se de uma decisão da direção-geral do teatro e que proporciona um dinamismo ao trabalho dos bailarinos.
Questionado sobre a importância de políticas culturais, Cohen comentou: ''Um governo que não subvenciona a cultura é um governo que mata a cultura''. Na Suíça, o poder público arca com dois terços dos custos da companhia; o restante é complementado com patrocínio da iniciativa privada.
Fundado em 1962, O Ballet du Grand Théâtre Genève foi dirigido ao longo dessas décadas por grandes nomes da dança como George Balanchine (1904-1983), Peter Van Dyk (1929-1997) e Oscar Araiz (1940). A compahia pauta sua programação na diversidade de linguagens e diferenças culturais.
Na abertura da Noite de Gala, foi realizada uma rápida cerimônia de entrega da medalha do mérito Anita Garibaldi ao embaixador da Suíça no Brasil, Jurg Leuter, pelo governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira. A homenagem foi em retribuição as trocas de apoio cultural entre os dois países.
A jornalista viajou a convite da organização do festival .


