FESTIVAL - Uma viagem no tempo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um livro foi publicado há poucos anos narrando a história do País pela ótica das canções da MPB. O espetáculo ''Pais e Filhos na Terra de Gigantes'', atração de hoje às 20h30 no Teatro Ouro Verde, tenta reconstituir as mudanças comportamentais da juventude brasileira tendo como pano de fundo o rock e o contexto sócio-político nacional.
A montagem é o principal destaque da programação desta quarta-feira no 26º Festival de Música de Londrina, que traz ainda uma sessão de MPB e jazz no Bar Valentino e uma conferência sobre musicografia braile na Associação Médica. ''Pais e Filhos na Terra dos Gigantes'' tem direção e arranjos de Anderson Nascimento, que foi co-autor do texto e parceiro na concepção do espetáculo com Ailton Junior.
Os figurinos ficaram por conta de Cíntia e Gerusa Matos (também assistente de direção). A montagem traça um painel histórico dos últimos 50 anos, a partir dos anos JK, com foco no desembarque das guitarras na terra da cuíca e do tamborim. Fundindo música e encenação, o elenco interpreta canções que marcaram os diversos períodos abrangendo clássicos da Jovem Guarda, Tropicália, Raul Seixas, Rita Lee, Legião Urbana, Skank até chegar nos Los Hermanos.
Estruturada em quatro partes, a montagem mostra quatro gerações de jovens numa sucessão cronológica que passa de pais para filhos. Em comum, uma república estudantil ambientando todas as histórias e experiências. ''A intenção é mostrar que as gerações mudam, mas os comportamentos se repetem. A revolta sempre permanece. Nos anos 60 e 70, houve a luta contra a ditadura. Nos 80, a luta pela redemocratização e a favor das Diretas-Já. Nos anos 90, tivemos a luta pelo impeachment de um presidente. E hoje temos um movimento contra a indústria cultural. Mas, sobre os dias atuais, deixamos uma reflexão para o público tirar as conclusões'' explicam Ailton e Anderson.
Além dos ideais e causas abraçadas pelos jovens ao longo das décadas, a montagem ressalta os conflitos de ordem pessoal. ''Não focamos apenas o lado político, há o lado romântico também'' lembram. A galeria de personagens traz ''Felipe'', o revolucionário (barítono agudo); ''João'', o bicho-grilo (barítono grave); ''Marco Adolfo'', o Nerd (baixo); ''Natália'', a ingênua (soprano); ''Helena'', a apaixonada (mezzo); e ''Rose'', a feminista (contralto). Os idealizadores do espetáculo brincam que ''o elenco reúne estudantes de música, estudantes de artes cênicas, cantores de ópera e cantores de banheiro''.
Anderson conta que o espetáculo foi concebido originalmente no ano passado para o grupo Borandá, montado por alunos participantes da oficina de coro cênico do 25º Festival de Música. O projeto, porém, não saiu do papel. ''Eles queriam dar continuidade ao trabalho desenvolvido na oficina e que resultou no espetáculo 'Suíte Cabaré'. Mas a idéia não foi para a frente porque não houve patrocínio nem público e nem privado. O texto acabou engavetado. E agora resolvemos resgatá-lo'' explica, acrescentando que alguns integrantes do atual elenco são oriundos do antigo grupo.
O cenário enfatiza o ambiente de uma república estudantil, incluindo beliches. O palco receberá um verdadeiro desfile de figurinos de época, além de projeção de fotos e vídeos.


