FESTIVAL - Uma cidade em movimento
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
A dois dia do encerramento do 22º Festival de Dança de Joinville, a cidade se prepara para se despedir dos seus mais de quatro mil participantes. Em dez dias de festival, a cidade simplesmente respira dança. Bela por natureza, cercada por morros verdejantes, em julho a cidade catarinense se transforma na capital da dança e, por extensão, em um dos maiores eventos da América do Sul.
No festival 2004, 133 grupos se apresentaram na Mostra Competitiva, enquanto que na Mostra Contemporânea (não-competitiva) participaram seis grupos profissionais. Um dos destaques foi a apresentação ''Terras'', de Esther Weitzmann Companhia de Dança. O espetáculo foi o primeiro trabalho profissional da companhia, formada em 1999. Filha de pai romeno judeu, que imigrou para a o Brasil fugindo da Segunda Guerra Mundial, Esther Weitzmann, diretora do grupo, contou que foi a partir da própria história familiar que começou a pesquisa para o espetáculo. ''Esse trabalho fala do exílio, do homem que abandona a sua terra para sobreviver, da dispersão, mas do movimento contínuo de agregar'', comentou. A diretora também elogiou o trabalho desenvolvido pelo Ballet de Londrina, que pôde conferir em apresentação no Rio de Janeiro.
O grupo Membros Cia. de Dança, de Macaé (RJ), também foi destaque na Mostra Comtemporânea com as coreografias ''Elemento Bruto'' e ''Raio X'', onde explorou a temática da denúncia social e da violência. Nas coreografias, movimentos que lembram gingas de capoeira e street dance. Até andar pelas paredes eles conseguiram. Formado por jovens, o grupo apresentou coreografias que fazem referências a chacinas e ao uso de drogas.
O Festival também disponibiliza diversos palcos alternativos pela cidade. Shoppings, escolas, praças passam a ser a oportunidade de se assistir gratuitamente aos mais variados estilos de dança. Palestras didáticas, eventos paralelos e um workshop com coreógrafos profissionais da Mostra Competitiva também fizeram parte da programação do evento.
Nesta edição, duas atrações internacionais marcaram o festival. Na Noite de Abertura, teve apresentação do Balé do Teatro de Colón da Argemtina como clássico ''Copélia''; na Noite de Gala, quem brilhou foi o Ballet du Grand Théâtre Genève. Com três coreografias contemporâneas, o balé suíço, depois de 12 anos sem se apresentar no Brasil, mostrou um trabalho que valoriza a diversidade étnica e de linguagens. No elenco, composto por 23 bailarinos de 14 nacionalidades, três são brasileiros.
O Festival também mantém há dois anos no complexo Cau Hausen a ''Feira da Sapatilha'', que é o ponto de encontro dos interessados, curiosos, aficcionados e profissionais da dança. Lá, pode-se encontrar desde os acessórios mais modernos para dança até uma das maiores tentações das bailarinas: os chocolates. De formas e recheios variados, pequenas barras dessas delícias podem custar R$ 1,00. Já uma sapatilha de ponta, de tamanho real, feita de chocolate e repleta de trufas não sai por menos de R$ 30.00.
A jornalista viajou a Joinville a convite da organização do Festival


