FESTIVAL - Um olhar sobre a dança contemporânea
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de julho de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
Inicia-se hoje a Mostra Competitiva do 1º Festival de Dança de Londrina, com apresentações de 7 trios no Circo FUNCART, às 18 horas, e de 27 conjuntos no Cine Teatro Ouro Verde, a partir das 20 horas. A dança a ser mostrada é contemporânea e, por isso, a noite longa - estão estimados 15 minutos, em média, para cada apresentação - deverá se caracterizar pela ''investigação, pela pesquisa mais apurada'', como diz Leonardo Ramos, coordenador do Festival, e por alguma raridade, que fica por conta das coreografias para trios, ''um formato que os festivais não costumam abrigar''.
Contudo, antes da noite há uma manhã que promete ser, no mínimo, polêmica, reunindo em torno de uma ''mesa-redonda'', das 9 às 11h00, o escritor e crítico do Jornal do Brasil (RJ), Roberto Pereira, que também está ministrando uma oficina de Crítica de Dança no Festival, e Rosane Torres, coordenadora do Fórum Nacional de Dança e diretora da Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra. O tema em questão é ''A Dança como Profissão Artística'', ficando a polêmica para o risco que corre a dança, regulamentada como profissão desde 1978, de passar para a fiscalização do Conselho Regional de Educação Física (CREF), o que poderia acarretar, de acordo com Leonardo, ''sua desvalorização como linguagem artística''.
Mas ainda na manhã, começam a despontar as estrelas que vão brilhar nos bastidores do Festival, participando do júri da mostra competitiva e da programação didática. Das 11h00 às 12h30, inicia-se na Escola Municipal de Dança a oficina de Dança Contemporânea, com a bailarina norte-americana, radicada no Brasil, Holly Cavrell, que atua como professora de técnica, improvisação e composição do departamento de dança da UNICAMP. Logo a seguir, das 14 às 15h30, no mesmo local, realiza-se a primeira aula de outra oficina, agora de Dança Clássica, com o bailarino argentino Ismael Guiser que, depois de uma carreira consolidada em seu próprio país e em nível internacional, estabeleceu-se no Brasil, onde atuou como bailarino solista, maitre de Ballet e coreógrafo nos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Atualmente, tem sua própria escola, o Ballet Ismael Guiser, mas ainda dá aulas na Cia. de Dança Cisne Negro e no Ballet Stagium, além de ser convidado para participar, como professor e jurado, dos principais festivais de dança do país.
No mesmo horário, mas na Trup Estúdio de Dança, também tem início a oficina de Street Dance, com o professor Octávio Nassur, de Curitiba. Com o nome indelevelmente associado à criação de um estilo único de street dance no Brasil, Octávio é o renomado coreógrafo da Delegação Brasileira de Hip Hop, tem sua própria escola de dança, atua como diretor e coreógrafo da Companhia de Dança Heartbeat, e leva à frente, sempre em Curitiba, o projeto ''Educando pela Dança e Crescendo com Saúde'', que introduziu a dança no currículo de escolas e colégios da capital paranaense.
Representando seis estados, especialmente das regiões Sul e Sudeste do país, os bailarinos e profissionais de dança que começam hoje suas apresentações em Londrina vão dar um novo colorido à cidade. Mais do que arte ou competição, no entanto, a dança do Festival promete ser uma agradável troca de experiências.


