FESTIVAL - Um clássico da dramaturgia nacional
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sábado, 22 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O musical ''Gota D'Água'' foi uma das atrações do Festival de Música de 2003. Na ocasião, entrou na programação como um espetáculo produzido numa das oficinas realizadas durante o próprio evento. Três anos depois, a obra que Chico Buarque escreveu em parceria com Paulo Pontes em 1975 está de volta, mas desta vez chega pronta ao palco.
''Gota D'Água'', principal destaque de hoje no 26º Festival de Música de Londrina, será apresentada em duas sessões: às 18 e às 21 horas no Teatro Marista. A apresentação marca o lançamento na cidade do programa Sesi Cultural, formado por uma série de projetos para indústrias, trabalhadores e comunidade em geral.
O programa começou em março, em Curitiba, e já foi lançado em Toledo, Cascavel e Pato Branco. A importância do musical na história da dramaturgia brasileira fez com que o Sesi Paraná o escolhesse para o lançamento do seu programa cultural na capital e no interior. A montagem tem direção de Antônio de Bonis, professor da disciplina Prática de Montagem do Curso Regular do Centro de Artes Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro.
Ele vem se dedicando à pesquisa de linguagem do musical brasileiro. ''Gota D'Água'' é inspirada na tragédia grega ''Medéia'', de Eurípides, escrita no século 5 a.C. Adaptada para o Brasil dos anos 70, foi ambientada na Vila do Meio-Dia, um conjunto residencial proletário do Rio de Janeiro. Joana, a Medéia brasileira, é abandonada pelo sambista Jasão, com quem tivera dois filhos.
Ele pretende se casar com Alma, filha de Creonte, proprietário do cortiço e explorador daquela população oprimida. Sem conseguir reatar a relação, e sem dinheiro para pagar o aluguel, Joana vai parar na rua junto com os dois filhos. Como também não consegue executar um plano de vingança (envenenar Alma no dia do casamento), ela acaba envenenando os filhos e a si mesma.
A canção-título tornou-se um clássico da música popular brasileira (''Já lhe dei meu corpo, minha alegria / Já estanquei meu sangue quando fervia / Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta pro desfecho da festa / Por favor / Deixe em paz meu coração / Que ele é um pote até aqui de mágoa / E qualquer desatenção, faça não / Pode ser a gota dágua'').


