FESTIVAL - Tributo a Kubala
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Hoje é dia de homenagem no 23º Festival de Música de Londrina. O concerto-tributo ''Música de Câmara'' presta as honras ao violoncelista Zygmunt Kubala, um polonês radicado no Brasil desde 1967.
O motivo da celebração é seu aniversário de 60 anos. No concerto, que começa às 20h30 no Cine Teatro Ouro Verde, ele se apresentará ao lado de Fernando Corvisier (ao piano), Eliane Tokeshi (sua nora, ao violino) e Ricardo Kubala (seu filho, na viola).
O Quinteto de Metais do Paraná, de Londrina, é a outra atração do dia com uma apresentação marcada para às 18h30 no Teatro Marista. Este, criado há 10 anos, é formado pelos músicos Arthur Fernandes, Gilberto de Queiroz, Marcelo das Virgens e Adilson Gibelato; além de Vitor Gorni, que costuma participar dos shows como percussionista.
O repertório pinça composições de Samuel Scheidt, Victor Ewald, Beethoven, Carlos Gomes e Antônio M. do Espírito Santo. Já o concerto-homenagem ''Música de Câmara'' será dividido em duas partes. Na primeira, o programa reúne as peças ''Astor Melos para violoncelo solo (Homenagem à Astor Piazzola)'', de sua autoria; ''Estudo op.25 no. 2 (Arr. Glazunov)'', de Chopin; ''Lenda'', de Wieniawski; ''Kol Nidrei'', de Bruch; e ''Mazurca'', de Mlynarski.
Na segunda parte, os músicos executam ''Quarteto em Mi bemol Maior Op. 47 para piano e trio de cordas'', de Schumann. Kubala tem cadeira cativa no Festival. Já veio inúmeras vezes a convite dos organizadores para atuar tanto na área pedagógica quanto no bloco artístico do evento. Ao avaliar as mudanças ocorridas ao longo das edições, ele nota que aumentou consideravelmente o número de alunos participantes.
''Isso é um bom sinal. Da quantidade sai a qualidade'' diz, durante entrevista coletiva. Sobre a diversidade musical em vigor na programação, ele a aceita sem restrições. ''Essa abrangência é um reflexo do mundo moderno'' argumenta. ''Ajuda a derrubar a barreira entre o erudito e o não-erudito, uma divisão discriminatória que vê um gênero musical como superior a outro. Lembro que, no começo, as big bands foram entrando aos poucos na programação. No ano passado, veio até um professor norte-americano especializado em rock. E, agora, conheci três professoras de Porto Alegre (RS) que vieram ministrar uma oficina de hip hop. Isso é bom, traz novas informação, além de atrair a atenção dos jovens''.
Kubala recorda que quando chegou ao Brasil, em 1967 o violoncelo era visto como um instrumento raro e exótico. ''Hoje o Antonio Menezes é um dos maiores violoncelistas do mundo'' assinala. Para ele, a sonoridade do instrumento sugere vínculos com a alma brasileira. O músico conta que na década de 60, antes de viajar para o Brasil, tocava na Polônia num grupo chamado Desafinado, em homenagem a Tom Jobin.
''Na época, apesar da cortina da ferro, tínhamos acesso à bossa nova. Ela penetrava nas rádios do país'' conta. Quando conheceu a esposa, uma carioca, decidiu mudar-se para o Rio de Janeiro. O choque de culturas dura até hoje. ''Eu, com meus vinte e poucos anos, fiquei maravilhado'' diz. ''Era como se fosse outro planeta. O mar, a bossa, o maracanã, o futebol, a praia, essas coisas mexiam com a gente. Ainda hoje, o Brasil exerce um fascínio enorme sobre mim. Acredito que seja um dos poucos lugares ainda desconhecidos, onde podemos dar vazão à imagninação''.
Considerado mestre por muitos músicos paranaenses, Kubala foi responsável pela formação da maioria dos violoncelistas atuantes no Estado. Seu currículo destaca, resumidamente aqui, estudos de mestrado em Música na Academia Frédéric Chopin, em Varsóvia; e aperfeiçoamento na Escola Superior de Música em Colônia, na Alemanha.
Já no Brasil, foi professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e atualmente é professor do Instituto de Artes do Planalto (UNESP), em São Paulo. Durante 12 anos, tocou no Quarteto de Cordas de São Paulo. Foi um dos fundadores da Orquestra de Câmara do Brasil, no Rio de Janeiro, e da Orquestra Jazz Sinfônica, em São Paulo.
Com dois CDs gravados um com a pianista Rosana Civille e outro numa parceria com o violonista Paulo Pedrassoli aguarda o lançamento do novo disco, que traz peças para cello solo. O trabalho, já gravado, está previsto para sair ainda este ano.
Aos 60 anos, Zygmunt Kubala é homenageado pelo Festival de Londrina cuja diversidade musical ele ressalta:
Essa abrangência é um retrato do mundo moderno, ajuda a derrubar a barreira entre o erudito e o não-erudito


