Que tipo de apresentação o público de Londrina pode esperar?
Vale esperar: treino é treino, jogo é jogo !
Qual foi o ponto de partida para a concepção do ''Lounjazz'', seu disco mais recente?
O ponto de partida foi a vontade e necessidade de compor novamente. Durante o período em que morei fora lancei dois trabalhos que foram releituras de clássicos da MPB (''Pérolas Negras'', de 96 / e ''Brazilian Soul'', de 98 ). Em 2003 lancei tambem um DVD que foi um apanhado de carreira com as músicas que mais marcarm a minha trajetória. Comecei a compor em Janeiro de 2004 , trabalhando em um laptopp aqui na minha casa na Gávea (Rio de Janeiro), tendo o prazer de receber novos e antigos parceiros para fazer música.
O disco sai pelo seu próprio selo. É para manter a autonomia ou pela falta de interesse de gravadoras brasileiras em investir na música instrumental?
Meu primeiro lançamento como artista solo foi em 87. Hoje, em 2005 completo 18 anos de carreira ou seja, maioridade e independência. Demorei bastante para lançar o trabalho pois estava procurando também uma distribuição independente por não acreditar mais no relacionamento com as ''grandes gravadoras de outrora''. A diminuição delas no mercado é um fato que acontece em função de mudanças radicais e históricas no mercado, onde já não existe mais lugar para políticas arcaicas . Acho que agindo de forma independente tenho mais chance de acertar e chegar diretamente ao meu público. Nunca precisei de jabá de gravadora para existir.
Durante a década de 90 você viveu um bocado em Nova York. Que acréscimos isso trouxe à sua musicalidade?
Foram anos importantíssimos de crescimento onde tive chance de interagir intensamente em um novo mercado e trocar experiências inesquecíveis com artistas fabulosos.
Você saiu do Brasil, mesmo que temporariamente, para buscar ou ampliar seu espaço?
Em 95 assinei contrato com a gravadora ''Verve'', conhecidíssimo selo de Jazz, por ter minha música tocando bastante nas rádios americanas de jazz contemporâneo. Fui em busca de ampliar minha audiência e tambem de evoluir como músico e como pessoa.
Como se deu a aproximação com artistas como Bernard Purdie, Grant Green e Rueben Wilson, ícones do soul-jazz?
O trio ''Masters of Groove'' foi redescoberto por uma nova geração de sampleros que se baseiam no jazz mais antigo. Nós eramos chamados para dar o toque especial para bandas de ''groove'', abrindo espetáculos para grupos novos como Soulive, Charlie Hunter, entre outros. Foi talvez a experiência mais importante durante este período . Viajamos bastante e conheci toda uma nova geração de músicos espetaculares.
Numa auto-crítica, quais conquistas até agora você obteve dentro da música brasileira?
Tenho feito workshops pelo Brasil e me emociono em ver hoje uma geração nova de saxofonistas que se baseia no meu trabalho como estudo. É sensacional ver meninos de treze anos em diante transcrevendo e tocando meus improvisos! Acho que conquistei uma grande fazenda, porém sei que o terreno é difícil e é necessário muito trabalho para se ter resultados.

Serviço
- Show com Leo Gandelman, dentro da programação do Londrina Jazz Festival. Hoje, às 20h30, no Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 240). Ingressos: R$ 10,00 (estudantes e aposentados pagam R$ 5,00) mais um quilo de alimento. A abertura fica por conta do grupo londrinense Acústico Blues Trio. Às 21h30, no Bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61), apresentam-se o músico Roberto Oliveira e Banda. Ingressos: 1 kg de alimentos, que deverão ser trocados nos postos de venda.

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