FESTIVAL - Tradição com toque de modernidade
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A tradição mescla-se ao inusitado no concerto que o Quinteto de Sopros Villa-Lobos faz hoje no Cine-Teatro Ouro Verde como a principal atração do dia do 23º Festival de Música de Londrina.
No palco, os músicos executam peças de Villa-Lobos, Paul Hindemith, Gyorgy Ligeti e Edino Krieger. A novidade é uma suíte do compositor carioca Guinga, dividida nos movimentos ''Di Menor'', ''Valsa de Realejo'' e ''Picotado'' com arranjos assinados respectivamente por Marcílio Lopes, Josimar Carneiro e Mauricio Carrilho.
''São transcrições e arranjos que não foram feitos originalmente para a formação de quinteto de sopros'' explica o clarinetista Paulo Sérgio Santos. Além dele, integram o grupo Antônio Carlos Carrasqueira (flauta), Luiz Carlos Justi (oboé), Philip Doyle (trompa) e Aluysio Fagerlande (fagote). Todos estão participando do Festival também como professores de oficinas.
''Gostamos muito de trabalhar em cursos de férias'' diz o clarinetista. ''Para os alunos, a experiência é gratificante. Em cidade do interior, o contato diário durante semanas com artistas e compositores é sempre enriquecedor. Lembro que fiz cursos inesquecíveis no começo da carreira''. O Quinteto foi fundado no Rio de Janeiro em 1962 com a proposta de divulgar a música brasileira de câmara incluindo compositores populares em seus programas.
Há dois anos, foi contemplado com o Prêmio Carlos Gomes como melhor grupo camerístico do país numa promoção do Governo do Estado de São Paulo. Entre 1998 e 2000, realizou apresentações didáticas com apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. ''Tocamos para crianças da rede municipal de ensino. Depois fizemos uma turnê por 35 cidades durante 40 dias'' conta ele.
O Quinteto realizou ainda uma turnê pela América do Sul promovida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em 1987, abriu as comemorações do ano Villa-Lobos em Paris, na Unesco. Como solistas, os instrumentistas também tocam muito pelo país e no exterior.
Há dois anos, o grupo lançou o CD ''Quinteto Villa-Lobos Convida'', resgatando seu lado popular com participação de Joyce, Guinga, Marco Pereira, Gilson Peranzzetta e Água de Moringa. Seu currículo sublinha ainda participações em gravações de outros artistas, com destaque para o CD ''Piazzollando'', o segundo de Guinga.
O novo disco da cantora portuguesa Eugênia de Mello e Castro também traz o nome do grupo nos créditos, assim como o songbook de Edu Lobo, cuja faixa ''Corrupião'' traz arranjo de Hermeto Pascoal feito especialmente para o Quinteto. Santos anuncia que um próximo trabalho próprio está a caminho: ''Não temos data, mas a intenção é gravar um novo CD, talvez no próximo semestre'' conta.
A programação de hoje do Festival destaca ainda um concerto da Orquestra de Sopros de Paranavaí, ao meio-dia, no Restaurante Universitário, no campus da UEL. Criada em 98, o conjunto desenvolve um trabalho de preservação do repertório da música universal, executando os mais variados estilos. Neste ano, participa do projeto Comboio Cultural, na Temporada de Concertos ''Nostalgia das Big Bands''. O grupo é composto por treze músicos e conta com a coordenação artística do maestro Vítor Gorni.
HOJE NO FESTIVAL
Concerto da Orquestra de Sopros Paranavaí, ao meio-dia, no Restaurante Universitário (campus da UEL)
Lançamento dos CDs do Festival de Música (22 edição) e do Duo Morozowicz, às 17h30, no Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 113).
Exibição e comentário do filme ''Rei Lear'' (1 parte), por Ricardo Rizek. Às 18h30, no Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 113).
Concerto do Quinteto Villa-Lobos, às 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 4,00 (estudantes e idosos pagam meia entrada).


