Para muitos, é o show do ano. Principal atração do ''Londrina Jazz Festival'', o compositor e multiinstrumentista carioca Egberto Gismonti apresenta-se hoje, a partir de 21 horas, no Teatro Marista. Na bagagem, traz mais de três décadas de atuação na seara da música instrumental, com vários discos lançados no exterior.
Herdeiro de Villa-Lobos, Gismonti aprofundou-se nas raízes culturais brasileiras sem deixar de incorporar influências das mais variadas escolas. Produziu dezenas de trilhas sonoras para cinema, teatro e balé. Através de seu selo Carmo, recomprou seu repertório inicial, tornando-se um dos raros compositores brasileiros donos de seu próprio acervo.
Entre os anos 70 e 80, conquistou vasto público transformando álbuns sofisticados como ''Dança das Cabeças'', ''Academia de Danças'' e ''Trem Caipira'' em títulos de grande vendagem. Na mesma época, consagrou-se internacionalmente gravando trabalhos pelo selo europeu, dedicado ao free jazz e sonoridades experimentais.
Entrevistado pela Folha2, ele abordou assuntos como a sua discografia, a música eletrônica e o mercado fonográfico.
O que você vai mostrar no palco do ''Londrina Jazz Festival''?
Tenho feito concertos com piano, violão e orquestra e apenas ao piano e violão. Para Londrina, vou levar o segundo formato. E vou sem nenhuma preocupação com repertório porque, depois dos 50 anos, é só sentar, tocar e torcer para que tudo dê certo. A música continua sendo minha amiga. Sempre que me apresento ao vivo busco atingir a platéia dando-lhe prazer, alegria e estímulos.
Você tem feito mais shows no Brasil ou no exterior?
Pra quem viaja como eu viajo, por maior que seja o Brasil, ele é menor do que o exterior. Estou sempre em turnê. Não faço viagens eventuais. Todo ano, frequento palcos do mundo inteiro tocando em cerca de 40 países. A partir dos anos 90, intensifiquei as viagens pelo mundo fazendo apresentações em festivais, acompanhado de orquestras. Isso abriu possibilidades para trabalhar em grandes centros, como o Ópera de Colônia, na Alemanha. Esse ciclo culminou com a gravação de um disco com a Orquestra Sinfônica da Lituânia.

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