A música habita o corpo. Basta fazê-lo se expressar. Quem diz é o músico paulista Fernando Barba, criador do grupo Barbatuques, que se dedica a extrair ritmo e melodia de mãos, bocas e pés. Barba é uma das principais atrações do 24º Festival de Música de Londrina. Ele e seu grupo apresentam-se hoje, às 20h30, no Cine Teatro Ouro Verde.
No show, mostram os números gravados no CD ''Corpo do Som'', lançado há dois anos pelo selo MCD. Sobem ao palco com 13 integrantes, sob direção cênica de Deise Alves. O roteiro alterna performances-solo, peças com três ou quatro componentes e participação coletiva. Todas as músicas partem da linguagem da improvisação para explorar a técnica de percussão corporal.
O repertório de recursos abrange palmas, assobios, estalo de dedos, sapateados e batidas no peito e nas bochechas. ''Um dos integrantes, o Marco Pretto, faz o contraponto usando efeitos de voz atuando como se fosse nosso vocalista'' diz o mentor do grupo. As referências rítmicas passam pela música africana, funk e cantigas folclóricas.
Para quem já ouviu o CD, será revelador assistir ao espetáculo ao vivo. ''O registro em disco ganha em som, já que um ruído de unha pode ser mixado no mesmo volume que um sapateado. Mas a gravação não permite saber como o som foi produzido, de onde ele vem'' explica Barba. O nome do grupo batiza também a pedagogia criada pelo artista, que ele considera aberta e em desenvolvimento.
A técnica, fundamentada na utilização do corpo como instrumento musical, tem sido difundida em oficinas pelo País. Foi gestada intuitivamente ao longo dos anos. Barba lembra que tudo começou com brincadeiras de adolescência, quando tirava sons e criava ritmos batendo as mãos no peito. Mais tarde, após diplomar-se na Unicamp, abriu uma Escola de Música na qual criou um curso de percussão corporal.
Posteriormente, passou a ministrar cursos regulares, quase sempre em colaboração com o pesquisador Stênio Mendes. ''Tudo começou de forma autoral, do zero'' conta ele. ''A pesquisa veio depois. Hoje sei que a percussão corporal talvez seja a forma de música mais antiga, até anterior a construção de instrumentos musicais. Nosso trabalho é pioneiro no mundo, mas parte de sons e técnicas que vem de todos os cantos e culturas possíveis. A percussão corporal está presente, por exemplo, nos rituais indígenas, na música flamenca, na catira, coco e em muitos artistas contemporâneos como Bob Mc Ferrin, Naná Vasconcelos, Stomp, Ed Motta, Meredith Monk e nos beat box da cultura hip-hop. A diferença é que nenhum desses grupos e culturas se dedica exclusivamente à percussão corporal como faz o Barbatuques''.
O grupo foi criado em 1997. Nas primeiras apresentações, atuava como coadjuvante nos show do cantor Luis Gayoto. Logo depois, passou a montar espetáculos próprios. Barba anuncia que um novo CD e também um DVD estão a caminho. Além do show de hoje, ele participa do Festival como convidado do 10º Simpósio Paranaense de Educação Musical (evento integrado ao 24º FML), no qual ministra uma oficina para 50 alunos.


Serviço:
- Show com o grupo Barbatuques. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada). Ponto de venda: no próprio local, a partir de 15 horas.

mockup