FESTIVAL - Símbolos que promovem a inclusão social
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sexta-feira, 28 de julho de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
O Sistema Braille, código universal de leitura tátil e de escrita para portadores de deficiência visual, foi desenvolvido na França por Louis Braille, um jovem cego, a partir do sistema de leitura no escuro. A base está nos seis pontos em relevo dispostos em duas colunas que possibilita a formação de 63 símbolos diferentes, utilizados na literatura, na simbologia matemática, ciência e informática, por exemplo. Com a linguagem musical não poderia ser diferente.
O curso ''Musicalização de Alunos com Deficiência Visual e Baixa Visão'', integrou a grade da 26 edição Festival de Música de Londrina, ocasião em que a professora Isabel Bertevelli abordou uma importante ferramenta de inclusão sócio-cultural: a ''Musicografia Braille''. O curso complementou o Projeto Amadeus/ HSBC Solidariedade.
Isabel destaca que, antes de iniciar os tópicos musicais, é necessário preparar os participantes a respeito de quem é o portador de deficiência visual, os diferentes níveis de deficiência, como abordar essas pessoas nas situações do dia-a-dia. ''A cultura e a música são formas de inseri-los na inclusão social. Os partodores de deficiência estão participando mais, saindo às ruas e, inclusive, frequentando escolas e conservatórios de música. Mas as dificuldades aparecem quando os professores não sabem trabalhar com esses alunos, quando não há material. Essa inclusão acaba ficando fechada'', ponderou.
O curso apresentou um grupo heterogêneo de integrantes, com professores de música sendo dois portadores de baixa visão e alunos crianças e adultos com diferentes níveis de deficiência visual. ''Fizemos um trabalho de sensibilização musical, como cantar o próprio nome, se apresentar um ao outro, cantar o nome do colega, desenvolvemos a percepção sinestésica, entre outras atividades. Tudo é gravado para que eles tenham uma referência documentada daquilo que produzem. Para eles, a gravação é um procedimento muito comum'', disse a professora.
Sobre a Musicografia Braille, Isabel revela que não há cursos formais no Brasil e que, apesar de ter sido desenvolvido incialmente na década de 50, ainda é pouco difundido. ''O material apresenta um alto custo de elaboração e são poucos profissionais habilitados para o sistema. A grande importância de um festival como esse é a oportunidade de formação de professores que vai trabalhar com esse público e também para o deficiente, que pode aprender a escrever sua própria composição. Os únicos festivais que se preocupam com esse público acontecem aqui e em Brasília'', lembrou.
Os livros de musicografia em Brasille são muito escassos e, segundo a professora, em 1929 foi elaborado o Manual Internacional de Musicografia Braille, na França. ''Apesar das diferenças dos povoso, era necessário que se fizesse um manual que servisse para todo mundo, com regras universais. Em 2004 foi traduzido no Brasil em versões Braille e tinta. Inclusive, as instituições interessadas podem solicitar o material pelo site do MEC'', revelou Isabel.
Mestre em Música pelo Instituto de Artes da UNESP/SP, Isabel é educadora musical da Laramara (Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual) em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e professora de Música do Instituto de Cegos Padre Chico desde 1991, bem como coordenadora do Curso Livre de Música desse instituto, sendo responsável pelas aulas de ''Teoria e Musicografia Braille'', primeiro e único curso do gênero no Estado de São Paulo.
Serviço
- Site da Secretaria de Educação Especial do MEC: www.mec.gov.br/seesp


