FESTIVAL - Simbiose sonora
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quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Peguemos uma balada, por exemplo. Durante ou depois de muita ferveção, um ambiente lounge é sempre bem-vindo. Qualquer som intimista serve de alívio para aplacar a adrenalina, certo? Aí é que tá: ''Lounjazz'', disco mais recente do saxofonista Leo Gandelman também se presta a tal propósito. Mas calma aí: por conter muitas informações sonoras, o álbum não pode e não deve ser simplesmente ser classificado como mais um ''produto'' restrito aos lounges da vida. Requer, isso sim, sentidos aguçados para sacar que nas 12 faixas ocorre algo a mais. ''É a simbiose musical entre o aspecto relaxante do lounge com o discurso livre e criativo do jazz'', define Leo Gandelman. É com repertório calcado em seu nono disco-solo que o saxofonista, compositor e arranjador carioca se apresenta hoje no segundo dia do Londrina Jazz Festival. A abertura fica por conta dos londrinenses do Acústico Blues Trio.
Com 18 anos de carreira, 49 anos de idade e um currículo exemplar, Leo Gandelman é um instrumentista cuja arte encontra respaldo até no exterior de 1995 até 2002 morou em Nova York, onde manteve íntimos contatos musicais com gente grande como Rueben Wilson, Bernard Purdie e Grant Green, integrantes do grupo Masters of Groove. ''Foram anos importantíssimos'', resume Gandelman. Aqui, trabalhou como arranjador e produtor de artistas do primeiro escalão como Gal Costa (no clássico ''Plural''), Marina Lima, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, entre outros.
Em ''Lounjazz'', disco com o qual inaugurou o próprio selo, o Saxsamba (com distribuição da gravadora Rob Digital), retoma sua veia autoral. Trata-se de um bojudo caldeirão em que mesclam-se samba, Bossa Nova, choro e outros gêneros, tudo contornado com o espírito livre do jazz eis o que chama de simbiose, formatada com instrumentos acústicos e programações eletrônicas. Abre com ''Bossa Rara'', sinuosa melodia retrô, uma das faixas que resumem bem o conceito sonoro do disco.
Há participação de Seu Jorge que letrou ''Dançarará'' (com direito a remix) e Zélia Duncan na releitura de ''Inquietação'', clássico de Ary Barroso que, na visão de Gandelman, ganhou uma ambientação ''Coltreana'' eis o momento mais jazzístico. Agora, a recriação de ''Tico-Tico no Fubá'' (Zequinha de Abreu) ficou uma delícia, bem como a nova roupagem de ''Canto de Ossanha'', um dos sambas-afro de Vinicius de Moraes e Baden Powell. Das inéditas, há ''Love Total'' , um dos temas do filme filme ''Garrincha - Estrela Solitária'', com o qual ganhou, em 2004, dois prêmios de melhor trilha sonora nos Festivais de Cinema Recife e Belém.
Se essas faixas vão estar no repertório do show de hoje, isso são outros quinhentos. Leo faz um certo mistério em relação ao que vai apresentar, mas adianta que outras canções não incluídas em ''Lounjazz'' serão interpretadas. Para acompanhá-lo, foram convocados os seguintes músicos: Allen Pontes (bateria), Rafael Castilho (teclados), João Gaspar (guitarra) e Alberto Continentino (baixo). ''São todos super novos de idade e são realmente músicos de altíssimo nível, como poderá ser visto no show'', avisa
A apresentação do instrumentista promete ser bem bacana. Afinal, boas músicas sempre purificam ambientes lounges ou não.
Leia entrevista com Leo Gandelman na página 3.


