FESTIVAL - Reverência total a MIGNONE
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quarta-feira, 26 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O olhar nacionalista lançado sobre a cultura brasileira, a partir da célebre ''Semana de 22'', teve no compositor paulista Francisco Mignone (1897-1986) um de seus mais ilustres representantes no País. A efeméride dos 20 anos de sua morte, comemorada em fevereiro, continua rendendo homenagens aqui e ali à sua obra. O 26º Festival de Música de Londrina presta-lhe as honras hoje com um programa duplo: um bate-papo com a viúva e pianista Josefina Mignone, às 16 horas, no Teatro Zaqueu de Melo; e o concerto ''As Valsas do Mignone'', com alunos e professores do FML, às 20h30, no Teatro Ouro Verde.
Seu legado musical inclui numerosas canções, peças para piano, óperas, um balé e obras de cunho nacionalista. Amigo dos escritores modernistas, Mignone sofreu grande influência de Mário de Andrade, mas foi o poeta Manuel Bandeira quem lhe aplicou o rótulo ''rei da valsa'', que passaria a acompanhar o artista ao longo da trajetória. Os ''Seis Prelúdios'', as ''Lendas Sertanejas'', as ''12 Valsas-Choro'', as ''12 Valsas Brasileiras'' e as ''12 Valsas de Esquina'' foram algumas das obras que ele compôs para piano-solo muitas delas gravadas com a esposa Josefina.
Mignone escreveu também algumas óperas. Uma delas, ''Chalaça'', venceu concurso para obra teatral de um ato. Outras conquistas viriam ao longo da carreira, como a de 1972, quando faturou o Prêmio Moinho Santista como maior personalidade da música brasileira, e a de dez anos depois, quando abocanhou o Prêmio Shell no gênero erudito. Trocando a terra da garoa pelo Rio de Janeiro, em 1933, assumiu a cadeira de regência do Instituto Nacional de Música atuando como professor durante 35 anos. Entre seus alunos passaram nomes como Eleazar Carvalho, Henrique Morelenbaun e Mário Tavares.
''A verdadeira e melhor expressão musical de Mignone reside na orquestra. Nesse campo, nenhum brasileiro lhe pode ser comparado'' anotou, certa vez, Mário de Andrade. Entre as peças mais elogiadas do compositor figuram ''Maracatu de Chico Rei'' (bailaro afro-brasileiro), ''Quadros Amazônicos'' ( obra que causou muita polêmica, sendo o quadro Iara censurado no governo de Getúlio Vargas) e ''Festa das Igrejas'' (suíte sinfônica). O cinema também recebeu sua colaboração em filmes como ''Menina-moça'' e ''Caiçara'', de Alberto Cavalcanti, ''Sob o Céu da Bahia'', de Remani; e ''Bonequinha de Seda'' (no qual, além de assinar a trilha, atuou no papel de um regente).
Sua fase nacionalista, iniciada em 1929, estendeu-se até 1959. A partir desse ano, passou a admitir o uso de qualquer processo de composição que lhe conferisse liberdade ao escrever a música. No concerto de hoje, no Teatro Ouro Verde, uma surpresa: a peça ''Sonata para trompete solo'', escrita em 1982 e dedicada ao trompetista Nailson Simões, será executada pela primeira vez. O mais inesperado: quem sobe ao palco para interpretá-la será o próprio Nailson, que está participando como professor no Festival.


