FESTIVAL - Presença francesa no Filo
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sexta-feira, 28 de maio de 2004
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Desde o início do Festival Internacional de Londrina (Filo), três figuras têm circulado pelos espetáculos e bastidores do evento. Eles não subiram ao palco, mas frequentaram várias platéias. Mais que isso. Realizaram na cidade dois trabalhos através dos Projetos de Maio do Filo. São os franceses Elisabeth Gonçalves, Joseph Briaud e Matthieu Chaney.
Atriz e diretora de teatro, Elisabeth Gonçalves, 24, mora em Paris, onde atua como colaboradora artística da Compagnie du Bredin, dirigida por Laurent Vacher. Nos Projetos de Maio, ela trabalhou desde abril com 13 internos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), apresentando como resultado a performance ''Portas dos Sonhos''. ''Não cheguei lá como diretora, mas como uma intermediária entre a criatividade deles e o teatro'', comenta.
Auxiliada pelo agente penitenciário e ator londrinense Nivaldo Lino, Elisabeth trabalhou com textos produzidos pelos próprios internos alinhavados pela temática do sonho.
A trajetória artística de Elisabeth começou aos 18 anos, ao entrar no curso Artes Cênicas da Universidade de Paris. Paralelamente, trabalhava na recepção do teatro Cena Nacional Malakoff, onde também foi relações públicas. Fez aulas no Conservatório de Arte Dramática e atuou como atriz em espetáculos de companhias profissionais. No teatro Malakoff, conheceu o diretor Laurent Vacher e tornou-se seu braço direito. Ela também foi assistente da direção de comunicação do Festival de Avignon.
Nesse mesmo evento, no ano passado, ela conheceu Elizabeth Dei Ricardi, que está radicado em Londrina há anos. Depois de uma conversa, elas criaram a ONG Círculo das Artes com o objetivo de facilitar o acesso à cultura e fazer um intercâmbio entre Londrina e a França. Elisabeth Gonçalves queria conhecer os trabalhos realizados na cidade e então surgiu a parceria com o Filo.
Um dos pontos positivos da experiência é que o projeto na PEL rendeu outras atividades. Da oficina surgiu o grupo de teatro Franco Brasil, que terá apoio do Círculo das Artes. ''Quatro internos vão deixar a PEL em breve e formarão outro núcleo desse grupo aqui fora'', conta. Com apoio do Círculo das Artes e da Aliança Francesa, um deles irá organizar exposições de arte na escola de idiomas. Outro também sairá da PEL, em regime semi-aberto, para estudar na Escola Municipal de Teatro. O grupo Franco Brasil também terá aulas de francês na PEL. Em 2005, a idéia é realizar uma produção franco-brasileira.
Elisabeth Gonçalves também está ligada ao Projeto de Maio ''Sambateado'', com crianças e jovens do Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura (Cepiac), na Zona Norte. Esse trabalho começou em maio, com a chegada do ator e bailarino Joseph Briaud e de Matthieu Chaney, colaborador nos dois projetos.
A oficina de sapateado foi ministrada por Briaud sob direção de Elisabeth Gonçalves para 22 pessoas com idade entre 5 e 21 anos. O resultado da experiência será reapresentado hoje, às 20 horas, no Tomate Seco Café Teatro. ''Tentamos contar a história do nosso encontro com os garotos do Cepiac'', diz ela. Briaud explica que a proposta da oficina foi unir a técnica à dança que os alunos conheciam. ''Tentei que dançassem o sapateado no seu próprio cotidiano, do jeito deles''.
Praticante dessa técnica desde os sete anos de idade, Joseph Briaud, 25, fez aulas de teatro no Oberlin College, nos Estados Unidos, concluindo o curso na França. Em seu país, participa de diversos projetos como ator e dançarino, além de atuar em curtas-metragens.
O trabalho no Cepiac é primeira experiência com oficinas. Ele avalia que o tempo que passou com o grupo, apesar de curto, foi intenso. ''São crianças que vivem em um meio menos favorecido e que por uma série de problemas acabavam faltando aos ensaios. O grupo mudava de uma semana para outra. Apesar de tudo, o resultado foi muito mais do que eu esperava''. Agora ele se propôs a trabalhar mais duas semanas com alguns dos participantes para que eles possam dar continuidade ao processo.
Os franceses ficam em Londrina até meados de junho e depois viajam por outras cidades brasileiras por mais um mês. Na volta ao seu país, preparam uma nova fase do intercâmbio franco-brasileiro.


