FESTIVAL - Percussão com toque de modernidade
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quinta-feira, 08 de julho de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
É a vez dos timbres percussivos no 24º Festival de Música de Londrina. Tímpanos, marimba, bumbo, vibrafone, bongôs, cowbell e ton-tons são alguns dos instrumentos que o francês Thierry Miroglio tocará hoje no Cine-Teatro Ouro Verde. A apresentação começa às 20h30, a qual se seguirá um concerto da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina.
No palco, Thierry utilizará tapes pré-gravados em duas composições, fundindo os sons eletrônicos à parafernália acústica. O programa reúne peças do alemão Ernst Helmut Flammer (''Interludium 1''), do brasileiro Jorge Antunes (''Toccata irisée''), do argentino Daniel Teruggi (''Struggling'') e do italiano Aldo Brizzi (''De la Trasmutatione de Metalli IV'').
As duas primeiras serão interpretadas ''pela primeira vez ao vivo na América'', anuncia ele, em português titubeante, acrescentando que uma composição do grego Iannis Xenakis também poderá se juntar ao repertório do show. Thierry participa do Festival como professor no curso de percussão sinfônica ao lado do londrinense Marcelo Casagrande, músico da Orquestra Sinfônica da UEL.
Começou tocando piano aos quatro anos de idade, para depois pular para a percussão. Mora em Paris, onde dá aula no conservatório Darius Milhaud. Vem regularmente ao Brasil há pelo menos 15 anos. Viaja com frequência também a outros países da América Latina, Ásia e África. É um dos raros percussionistas do mundo com agenda sempre lotada. Já gravou 12 CDs pelos mais variados selos internacionais.
No último, lançado no ano passado, registrou peças do compositor finlandês Kaija Saariaho. Diz, de boca cheia, que já executou mais de 200 obras para percussão solo. ''Muitas delas'' salienta ''escritas especialmente para mim''. Suas versatilidade e virtuosismo o tornaram um colaborador constante de compositores de renome da música erudita contemporânea, entre eles John Cage, Berio, Denisov, Risset, Ohana, Manzolli, Donatoni, Stroppa, Grisey, Jolas e Dufort.
Costuma atuar em performances musicais vinculadas às artes visuais, eletrônicas, teatro e dança. Paralelamente, realiza produções para rádio e TV. ''A percussão foi muito importante para a evolução da linguagem da música contemporânea ao longo do século 20 e começo do século 21. Sua família de instrumentos é a que mais se aproxima do meio ambiente sonoro da vida moderna, talvez por isso tenha sido tão valorizada'' explica ele.
Após seu concerto, os músicos da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina sobem ao palco para executar peças de Villa-Lobos (Prelúdio da ''Bachianas Brasileiras'' Nº 4) e Tchaikowsky (''Serenata para Orquestra de Cordas em Dó-Maior, Op.48). A OCSL é dirigida pelo Spalla Evgueni Ratchev e integrada por 13 instrumentistas. Em 2003, viu seu prestígio bater o teto ao conquistar troféus cobiçados.
Com o CD ''Imagens Brasileiras'', faturou o Prêmio Tim de Música Brasileira (antigo Prêmio Sharp) nas categorias ''Melhor CD Erudito'' e ''Melhor Arte Visual''. Também abocanhou o Prêmio Saul Trumpet na categoria de ''Melhor CD Erudito'' do Paraná. Já em abril desse ano, recebeu o prêmio Talento do Paraná pela contribuição à cultura do Estado. Comemorando 5 anos de formação, a orquestra fecha hoje mais uma noite de boas atrações no Cine Teatro Ouro Verde.
Serviço:
- Concerto solo de percussão com Thierry Miroglio, seguido de concerto com a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada). Ponto de venda: no local, a partir de 15 horas.


