Começa hoje, em Salvador, a décima edição do Panorama Percussivo Mundial - PercPan. O ministro da Cultura, Gilberto Gil, vai ser homenageado no espetáculo de abertura, que começa às 20 horas, no Teatro Castro Alves, e deve estar presente. Talvez cante.
Gil foi diretor do festival a partir de sua terceira edição, dividindo a responsabilidade com o percussionista Naná Vasconcelos. Naná desentendeu-se com a organização do evento e Gil afastou-se ao assumir a função política. É o autor do hino oficial da festa dos tambores.
Quem responde pela direção artística, desde o ano passado, é o percussionista carioca Marcos Suzano, que faz também a seleção do elenco. As atrações de de hoje são os brasileiros Duo Ello e Tato Taborda, mais o grupo cubano de Orlando Maraca Valle e a dupla jamaicana Sly and Robbie.
Amanhã, apresentam-se o diretor do festival, Marcos Suzano, seguido pela banda carioca AfroReggae; chegam depois os mesmos Tato Taborda e Sly and Robbie. No domingo, último dia do Percpan, reapresentam-se Suzano, Orlando Maraca, Duo Ello e soma-se o grupo baiano A Tapa.
O festival tem um braço carioca, que se inicia na segunda-feira, às 10h30, no Espaço Criança Esperança, em Ipanema, com participação de Gilberto Gil, Sly and Robbie, AfroReggae e Marcos Suzano. Na terça-feira, no Teatro João Caetano, às 20 horas, show único reunirá todo o elenco que participou dos espetáculos baianos mais o compositor Zeca Pagodinho.
É um elenco pequeno, embora diversificado. Vai do erudito de Tato Taborda aos tambores de rua da Bahia, passando pela música de morro do Rio de Janeiro, passando pela legítima música jamaicana e por um grupo cubano que se conta entre os melhores - Orlando Maraca Valle, flautista, pianista e compositor, foi integrante do Irakere e seu disco-solo do ano passado, Tremenda Rumba, foi indicado para o Grammy Latino. Acompanhou Cesária Évora e toda com a Afro-Cuban All Stars.
O PercPan era realizado, tradicionalmente, em abril. Neste ano, foi sendo adiado, por dificuldades com patrocínio - e perdendo elenco. A penúltima data seria setembro. Participariam Maria Bethânia (fazendo homenagem a Gil) e os extraordinários africanos dos Tambores do Burundi. Com o adiamento, ficaram sem data na agenda.
No auge, a partir da quarta edição, o PercPan foi o mais importante festival de tambores do mundo. Chegou a ter mostra parisiense e ambicionava Nova York. Questões econômicas, sempre, atrapalharam os planos da empresária e socióloga Beth Cayres, criadora do festival. Há dois anos, nem ao menos houve edição baiana - o PercPan foi deslocado para o Recife. Pela importância que teve, é louvável o esforço em realizar a mostra pequena de agora, com olhos no futuro. Não se perde a marca. Resgate-se a qualidade.

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