FESTIVAL - Pelos caminhos do som
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sábado, 10 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
É quase uma babel, porém mais musical e harmoniosa do que a da passagem bíblica. Aqui, em Londrina, desde o dia 1º de julho, e até o dia 17, pessoas de várias localidades, estilos e idades se reúnem no festival onde a música é o ponto em comum entre todos os 937 participantes dos 88 cursos oferecidos. Quem passa pelas ruas Piauí ou Pio XII, onde estão os colégios que abrigam o 24º Festival de Música de Londrina (Aplicação e Hugo Simas), não fica imune: a música simplesmente está no ar, transpassando as paredes, os muros, as grades e chegando no território da emoção, mesmo para aqueles que rapidamente passam por essas ruas na correria do dia de trabalho ou de estudo.
''A música é a alegria da alma e acho importante que a cidade invista nesse tipo de iniciativa, que pode torná-la reconhecida até internacionalmente'', afirmou o estudante de Regente Feijó (SP), Luciano Canziani de Almeida, 22 anos, que está frequentando aulas de violino. ''É a segunda vez que venho para cá e estou me preparando para prestar vestibular em Londrina ou Ribeirão Preto. A minha cidade é muito pequena, tem no máximo 20 mil habitantes, e não tem o tipo de conhecimento que posso obter aqui'', explicou Almeida.
Já o aluno do primeiro ano do curso de Música da UEL, Ivo Andres Freitas de Oliveira, 18 anos, vê no Festival a oportunidade de ampliar os seusconhecimentos. Está cursando as oficinas de trilha sonora e jazz e MPB. ''O meu interesse maior é o rock enquanto essência e acho que essas modalidades que estou estudando vão me ajudar a incorporar mais linguagens ao rock'', ressaltou.
Na contramão do rock, os amigos Alexandre Remuzzi Ficagna e Alexandre Mantrelho Sanches, alunos 4º ano de música da UEL, acreditam que a verdadeira rebeldia não está no rock, como pensavam no início do curso, mas na música contemporânea, defende a dupla que está estudando Percepção Musical de Estruturas do Século XX e Composição. ''É muito boa a integração de idéias e pessoas que o festival proporciona. Não dá para fazer música sozinho. E estou sentindo falta de apresentações de música experimental'', comentou Ficagna.
O Festival também é espaço para cenas inusitadas, como a do aluno de música, Jean Campos, 24 anos, afinando um instrumento medieval que chama a atenção pela beleza do seu formato. Viela de Roda é o nome da raridade, que faz parte do acervo de instrumentos antigos do grupo medieval Neuma comprado com recursos municipais de incentivo à cultura. Do século XII e de origem árabe, o instrumento é utilizado para acompanhamento de cantores e outros instrumentos medievais, como Gaita de Fole.
De mais de três mil quilômetros, veio um grupo de seis pessoas de Belém (PA) incentivado pelas boas referências do evento passadas pelo professor de violino Evgueni Ratchev, que morou em Belém e atualmente reside em Londrina. Os noivos Suzana Pinho, 21 anos, e Marcus Guedes, 20 anos, contaram que são três dias de viagem, mas que valem a pena. O dinheiro é contado e não sobra muito para gastar em passeios pela cidade. ''Cada um gasta em média mil reais o dinheiro extra é voltado a compra de CDs e livros que servem como fonte de estudo'', relatou Suzana, que está cursando aulas de flauta-doce e regência de coro infantil.


