A programação segue até domingo, mas os concertos oficiais de encerramento do 25º Festival de Música de Londrina serão realizados hoje e amanhã com a apresentação da Orquestra Sinfônica Universidade Estadual de Londrina, sob regência do maestro convidado Aylton Escobar.
O concerto contará com a participação de grupos corais, além de músicos, professores e alunos do Festival. O programa de hoje traz as peças ''Fosca'', de Carlos Gomes; ''Sinfonia Concertante para sopros'', de Mozart (com integrantes do Quinteto de Sopros de Brasília); ''Ave Maria'', de Villa-Lobos (com o coral juvenil da UEL); e ''Carmina Burana'', de Carl Off (com presença dos solistas Sóstenes Pereira/tenor, Elaine Stecca/soprano, Mírian Ozokawa/mezzo; e Professor Inácio de Nonno/barítono).
Para amanhã, o programa traz apenas uma alteração: em lugar de Mozart entra Tchaikowsky com o 2º movimento da ''5 Sinfonia''. Escobar explica que gostaria de reger execuções integrais das obras ''Carmina Burana'' e ''5 Sinfonia'', ''mas os limites do programa não permitem''. Ao comentar o repertório escolhido, critica o excesso de expectativa em torno da peça de Carl Off em detrimento da composição do brasileiro Carlos Gomes.
''Carmina parece um hino aqui em Londrina. Todos só falam dessa obra, que é música de propaganda, de ceninha de heroísmo'' diz, com uma dose de mordacidade. De fato, o prestígio da obra é grande, mas não só por aqui. Em todo o mundo, destaca-se como uma das peças eruditas mais difundidas e gravadas na consciência popular.
Não seria exagero dizer que muita gente ausente nas salas de concerto do Festival, sairá de casa hoje para disputar poltronas no Teatro, levadas justamente pela famosa cantata. Carl Orff a compôs nos anos 30 a partir de um conjunto de baladas do século 13 criadas por monges peregrinos. De lá para cá, a obra tornou-se onipresente no mundo da música erudita servindo de matéria-prima para corais, orquestras, companhias de ópera e de balé.
Também recebeu ampla aceitação no universo pop inserindo-se em trilhas de filmes, comerciais de TV, casas de diversões eletrônicas, rinques de patinação, abertura de shows de rock e até no repertório do rap norte-americano Nas. Acessível, a música combina alto grau de repetição, contornos dramáticos e padrões harmônicos simples.
Arrasta os ouvintes para um clímax já nos primeiros acordes de ''O Fortuna'', a abertura, prosseguindo ancorada na força de melodias cantaroláveis e percussão marcante. Escobar não está sozinho ao minimizar a importância da peça. Críticos especializados costumam descartá-la classificando-a de ingênua e exaustiva. O maestro salienta que escolheu os trechos ''mais brilhantes'' para executar nos dois concertos em Londrina.
Aqui, além das atividades com a Osuel, ele está trabalhando num laboratório de Criação Musical (cujos detalhes a Folha2 traz na edição de amanhã). Dono de invejável currículo, Escobar é paulistano de berço. Iniciou seu aprendizado musical na Academia Paulista de Música, dando continuidade no Rio de Janeiro com Marília Martins, Lúcia Branco e Magda Tagliaferro.
Foi aluno de composição de Camargo Guarnieri e em regência desenvolveu-se sob a orientação de Alceo Bocchino e Francisco Mignone. Foi premiado várias vezes pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), além de conquistar festivais internacionais de Coro na Espanha e diversos prêmios entre eles o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, o Prêmio Moliére de Teatro e o Prêmio de Melhor Música do Festival de Curta Metragem da Venezuela.
Com obras divulgadas no Brasil e no exterior, é autor de partituras incidentais para o teatro e o cinema. Membro da Academia Brasileira de Música, ele ocupa a Cadeira No.25 cujo patrono é o insigne compositor Henrique Oswald. Ao receber um prêmio especial da Suíça, em 1979, teve seu nome cotado entre os mais destacados artistas do cenário musical internacional daquela década. Foi regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e regente titular e diretor artístico das Orquestras Filarmônica Norte/Nordeste do Brasil e da Sinfônica Municipal de Campinas.
Foi diretor da Universidade Livre de Música (São Paulo, 1993/97) e diretor artístico dos Festivais de Inverno de Campos do Jordão. Atualmente é professor do Departamento de Música ECA/USP nas classes de Composição, Orquestração e Regência. Depois de Londrina, faz concertos no Teatro Municipal de São Paulo e na Sala São Paulo. Em seguida, participa em Festival Música Nova, em Santos, e viaja para concertos na Venezuela, Chile e México.

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