O pianista londrinense Marco Antônio de Almeida se apresenta hoje à noite no Cine-Teatro Ouro Verde, dentro da programação do 24º Festival de Música de Londrina (FML). Sozinho ao piano, o músico irá interpretar três peças: ''Sonata em Mi Maior'', do compositor barroco italiano Domenico Scarlatti (1685-1757), ''One Man Band'', do alemão Moritz Eggert (nascido em 1950), e ''Sonata Opus 22'', do argentino Alberto Ginastera (1916-1983).
Trata-se da primeira apresentação de Almeida dentro do FML desde 1995, e a primeira do músico na cidade desde março do ano passado, quando participou dos Concertos Matinais. O pianista explicou que Eggert é seu amigo e que ''One Man Band'' é uma composição inédita: a segunda oportunidade em que ela será apresentada ocorrerá apenas em outubro, num festival em Berlim.
''Trata-se de uma peça em que o pianista faz vários efeitos. Ele bate os pés, bate na tampa do piano, usa o queixo, bate anéis contra a madeira do instrumento. Até o século XX, os compositores não usavam outros recursos que o piano oferece. Daí em diante, o teclado passou a não bastar. A harpa do instrumento e a caixa de ressonância oferecem possibilidades para que sejam atingidos resultados inusitados'', comentou Almeida.
O pianista afirmou que as outras duas peças da noite foram escolhidas para provocar contraste: enquanto ''Sonata em Mi Maior'' é barroca e tem apenas um movimento, ''Sonata Opus 22'' é historicamente mais recente (foi escrita nos anos 50 do século XX) e tem quatro movimentos. ''Ginastera está para a Argentina como Villa-Lobos está para o Brasil, no sentido de que ambos utilizaram elementos nacionais para compôr uma obra internacional'', explicou.
Dentro do festival deste ano, Almeida também está dando aulas e às 18h30 de amanhã irá participar de uma conferência na Escola Estadual Hugo Simas (Rua Pio XII, 195) sobre os problemas da lesão de esforço repetitivo (LER) em músicos. O pianista é formado em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e desde 1995 é membro das Sociedades Alemãs de Música e Medicina.
Segundo Almeida, a Alemanha é uma referência mundial no que diz respeito à prevenção da LER (Lesão por esforço repetitivo) em músicos, já que oferece atendimento especializado a instrumentistas e possui congressos específicos sobre o assunto. ''O músico teme ser chamado de mau profissional caso admita que sente dor. Ele só abre o jogo quando a lesão já está aprofundada. É preciso mudar essa mentalidade'', comentou o músico. O pianista explicou que a conferência está aberta a outros profissionais que trabalhem com movimentos repetitivos de mão, como bancários e empacotadores de supermercado.
Um dos músicos eruditos brasileiros mais respeitados do mundo, Almeida é professor catedrático da Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo. Ele chegou a Londrina na última sexta-feira e preferiu não fazer comentários sobre a atual programação do Festival de Música do qual foi diretor artístico entre 1990 e 95. ''Ainda não tive tempo de ver muita coisa'', justificou. Após a apresentação de Almeida, sobem ao palco do Ouro Verde o Quinteto Villa-Lobos e alunos, que apresentarão a ''Serenata Dvorak'', e em seguida o Quinteto de Metais dos professores do FML.


Serviço
- Concertos com Marco Antônio de Almeida, Quinteto Villa-Lobos e alunos e do Quinteto de Metais do FML. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada). Ponto de venda: no local, a partir de 15 horas.

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