O espetáculo que estréia esta noite na mostra nacional do Festival Internacional de Londrina (Filo) leva para o palco uma adaptação da obra de Nikolai Gogol (1809-1852) que faz uma crítica à corrupção e à falta de caráter. ''Os Jogadores'' será apresentado hoje e amanhã, às 21 horas, na Usina Cultural.
Na história de Gogol, Igarev é um jogador de cartas profissional que chega a um vilarejo no interior da Rússia para aplicar mais um golpe. Lá conhece outros trapaceiros Otchelsky, Krugel e Choniev e, juntos, escolhem como vítima a única pessoa com dinheiro na cidade: o Sr. Glov, um velho que hipotecou parte do patrimônio para fazer o casamento da filha. Só que sua retidão o impede de entrar para o mundo do carteado.
Os parceiros resolvem, então, investir em Alexander, filho de Sr. Glov, que tem uma procuração para movimentar as posses do pai. Mas, a certa altura, fica difícil até para os trapaceiros saber em quem confiar.
Esta primeira montagem brasileira do texto de Gogol tem direção de Hugo Coelho, de São Paulo. Sua proposta foi formatar a peça russa escrita entre 1830 e 1836 para o Brasil dos dias de hoje. A corrupção e a falta de caráter seriam os principais obstáculos ao desenvolvimento da Rússia na época.
O argumento utilizado para o tradutor da peça, Marcos Daud, para explicar a atualidade da peça é que ''a desigualdade social brasileira, assim como a de todos os países em desenvolvimento, é creditada à desonestidade inerente a estes povos''.
O tradutor também adaptou e atualizou o texto, sem acrescentar brasileirismos ou referências contemporâneas, evitando gírias, palavrões ou humor simplista. De acordo com a direção, os cenários se assemelham a três pinturas das quais os personagens parecem saltar. A cenógrafa Heloisa Bortz também garimpou objetos que colaboram para a construção do ambiente, como um velho samovar (pequena caldeira portátil para esquentar a água utilizada no chá).
Autor de obras como ''O Inspetor Geral'', Nikolai Gogol foi um conservador partidário do regime czarista e chegou a queimar, no fim da vida, o segundo volume do seu ''Almas Mortas'' por influência da Igreja Ortodoxa. ''Os Jogadores'' aborda o que, para o autor, era considerado o mal do mundo.

Serviço:
''Os Jogadores'', de Nikolai Gogol. Direção: Hugo Coelho. Assistência de direção: Agnes Zuliani. Direção de arte: Heloisa Bortz. Elenco: Otávio Martins, Edgar Castro, Bartholomeu de Haro, Eduardo Semerjian, Luiz Serra, Alexandre Freitas, Daniel Warren, Robson Nunes e Hugo Coelho. Tradução: Marcos Daud. Cenografia: Heloisa Bortz. Figurino: Bruno Otaviano. Iluminação: Luiz Fernando Vaz. Trilha sonora: Tunica Teixeira.

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