FESTIVAL - O cotidiano das situações insólitas
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sábado, 04 de junho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Um vendedor de seguros atormentado pela catalepsia e um médico maníaco sexual. Quando os dois se encontram num necrotério, o que seria uma situação insólita se torna um acontecimento corriqueiro na peça ''Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos'', que a companhia curitibana Vigor Mortis apresenta hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413).
Tudo acontece quando o vendedor de seguros de vida, Tom, depois de sofrer o oitavo ataque de catalepsia, acorda no necrotério. Para ele, o lugar é tão familiar quanto a própria casa. Ao despertar, o cataléptico pega o médico maníaco sexual com a calça na mão. O doutor costuma envenenar mulheres com narcóticos e uma toxina do peixe baiacu, aproveitando para estuprar e matar suas vítimas.
Como nas avassaladoras sequências do diretor Quentin Tarantino com paradas nos filmes trashes dos anos 70 e 80, a peça traz para o palco a perversão. É um coquetel de cultura pop e humor negro, batidos com elementos de histórias em quadrinhos.
O espetáculo estreou em Curitiba, em 2004, voltando aos palcos da capital no Festival de Teatro de Curitiba este ano. Indicado a nove categorias do prêmio Gralha Azul, o mais importante do teatro paranaense, saiu vencedor em cinco indicações, sendo premiado como melhor espetáculo, texto e direção.
Com direção e texto de Paulo Biscaia Filho, ''Morgue Story...'' apresenta no elenco os atores Anderson Faganelo, como o cataléptico Tom; Leandro Daniel Colombo interpretando o maníaco Doutor Daniel Torres e Mariana Zanetti, a desenhista cansada do relacionamento com o namorado metaleiro. Por motivos alheios à realidade, a garota vai parar no necrotério, fechando o triângulo da situação bizarra.
''Só dá para qualificarmos o espetáculo com o humor negro, que facilita a digestão do público'', afirma Leandro Daniel, acreditando que o espectador encontrará algum tipo de identificação com o universo atormentado dos personagens.
O grupo Vigor foi formado em 1997, quando Biscaia voltou da Inglaterra, onde defendeu tese de mestrado. ''Ao chegar em Curitiba, ele fez assistência de direção para Gerald Thomas se inspirando para montar o grupo com a estética que trabalhamos. É a nossa quinta montagem'', ressalta Leandro Daniel.
A narração é ampliada por recursos multimídias, permitindo a entrada no necrotério de personagens virtuais na peça.


