Uma maratona de shows, recitais e concertos intensifica hoje a programação do 23º Festival de Música de Londrina. Se a diversidade norteia o evento, as atrações desta quarta-feira revelam-se particularmente reveladoras com seu leque de incursões rítmicas.
O grande destaque é o show do acordeonista paulista Toninho Ferragutti, que se apresenta no Santo Ponto a partir de 22h30 ao lado do contrabaixista Jorge Oscar e do percussionista Oscar Pellon. Este último faz ''dupla jornada'' tocando antes, às 20h30, na tradicional ''Noite de Choro e MPB'' em companhia dos músicos Joel Nascimento (bandolim), Jayme Vignoli (cavaquinho), Luiz Otávio Braga (violão) e Josimar Carneiro (violão) todos nomes consagrados do choro e figuras carimbadas do FML.
O concerto dos chorões acontece no Teatro Marista com participação especial do Trio Quintessência, de São Paulo. Mas a programação começa à tarde no Calçadão, já ao meio-dia, com um espetáculo do grupo de bailarinos e músicos integrantes do Maracatu Nação Leão Coroado de Recife (PE). A trupe, que volta a se apresentar no sábado nos mesmos local e horário, mostra um ''balé afro'' reunindo danças dos orixás.
Desconhecida no sul, a companhia-entidade tem entre seus objetivos a preservação do patrimônio literário, musical e coreográfico do folguedo, o respeito ao direitos dos artistas populares e artesãos e a promoção de cursos. Em dezembro, festejará 140 anos de atividades. Ainda na programação do Festival, o horário das 12 horas reserva uma ''Oficina'' com os alunos participantes do evento, que se juntam para tocar no Restaurante Universitário no campus da UEL.
No final da tarde, quatro eventos com entrada franca estão marcados para às 18h30: uma ''Oficina de Música Barroca'' na Associação Médica, com apresentação dos alunos participantes da referida oficina ministrada pelo professor Elimar Machado; um ''Recital de Alunos do FML'' no Teatro Zaqueu de Melo, com destaque para canto erudito e madeiras; e o ''Concerto Suzuki'' (com apresentação dos alunos participantes do curso de Método Suzuki) e o recital ''Oficina da Voz'' (com os alunos da professora Sônia Prazeres) no Cine-Teatro Ouro Verde.
À noite, às 20h30, o Teatro Marista celebra o choro e a MPB com a habitual roda de bambas aliada à presença especial do Trio Quintessência. No concerto, Joel Nascimento, Luiz Otávio Braga, Jayme Vignoli, Josimar Carneiro e Oscar Pellon executam clássicos de Pixinguinha, Jacob do Bandolin, Ernesto Nazareth e de outros compositores.
Com cadeira cativa no FML, todos eles estão participando também das atividades pedagógicas do evento. ''Venho a Londrina desde 1997. No Rio, contamos os dias para chegar o mês de julho e viajar para cá. É uma satisfação muito grande respirar música, direto, durante duas semanas'' diz Vignoli, que ministra aulas de cavaquinho e na Oficina de Choro.
Segundo ele, o choro vive um momento auspicioso. ''Ele ganhou projeção internacional. Cada vez mais, vejo músicos estrangeiros não só estudando choro como gravando nossos compositores. E é flagrante também o interesse dos jovens pelo gênero. No Rio, há muita gente tocando e se dedicando ao choro e também ao samba'' salienta. No concerto de hoje, Vignoli e os quatro companheiros de roda serão os anfitriões do Trio Quintessência.
O Trio, de formação incomum, reúne o violoncelista Júlio Carezo Ortiz, o bandolinista Aleh Ferreira e o violonista Alessandro Penezzi. ''No começo, havia só o duo de violão e bandolin. A entrada do violoncelo, que é utilizado mais na execução de música erudita, deu uma inovada na formação dando um outro tempero ao trabalho do grupo'' explica Ortiz. O repertório do trio inclui Música Popular Brasileira em suas variantes de choro, samba e Bossa Nova , além de peças de jazz e música clássica.
No exterior, já tocou no ''25th Anniversary Celebration Concert Series'', em Waterplace Park, e no ''Providence International Mandolin Festival'', ambos em Providence, Rhode Island (EUA). Apresentou-se também na conceituadíssima Sala Tchaikowsky em Moscou, Rússia, encerrando o Festival de Música Latino-Americana. No segundo semestre de 2001, dentre quase 400 inscritos em todo o Brasil, o trio classificou-se entre os semifinalistas do ''4º Prêmio MPB VISA Eldorado edição Instrumental''. No ano passado, gravou seu primeiro CD, ''A Quintessência da Música'', pelo selo Alegreto.
Fechando a programação de hoje do FML, o acordeonista Toninho Ferragutti se apresenta no Santo Ponto a cervejaria transformada em espaço de eventos. Considerado um mestre da sanfona, o músico costuma ser requisitado para gravar ou acompanhar artistas como Gilberto Gil, Edu Lobo, Chico César, Marisa Monte e Antônio Nóbrega. Há dois meses, excursionou com a cantora Mônica Salmaso pelos Estados Unidos.
Em junho, fez turnê com o também acordeonista Renato Borgheti. Viagens ao exterior não faltam em sua agenda. Há poucos dias, retornou do Festival das Américas, no México. Em agosto, participa do Festival de Navarra, na Espanha. Ferragutti lançou dois discos: ''Oferenda'' (1997), gravado no Japão em duo com o saxofonista Roberto Sion; e ''Sanfonemas'', lançado em 2000 e indicado ao Grammy Latino como melhor álbum de música regional.
Como integrante da Orquestra Popular de Câmara, registrou dois CDs. A Londrina, ele traz o repertório de ''Sanfonemas'' e composições de Moacir Santos, Dominguinhos e Hermeto Pascoal. ''Gosto de improvisar em cima da tradição, mas sem descaracterizar os ritmos'' diz, em entrevista coletiva, ao lado de uma sanfona de 120 baixos. ''Aprecio a mistura de timbres da sanfona com instrumentos de sopros. Essa combinação cai muito bem, assim como em duos com violinos e cellos'' ressalta. Seu show é mais um do Festival com potencial para arrancar aplausos intermináveis da platéia.

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