FESTIVAL - O acordeon em mãos consagradas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de julho de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um variado cardápio sonoro aguarda o público hoje no 25º Festival de Música de Londrina, cuja programação traz um recital de acordeon e um espetáculo de spirituals, além de apresentações de coro infantil e show de blues. O dia será marcado ainda pelo primeiro concerto em Ibiporã, inaugurando o bloco de extensões do evento que prevê apresentações também em Cambé, Jataizinho, Apucarana, Porecatu e Maringá.
O acordeonista ucraniano Vladimir Zubitsky, 52 anos, abre a série de atrações internacionais no Teatro Ouro Verde. É sua primeira visita ao Brasil. Seu concerto começa às 20h30. No palco, sozinho ao instrumento, ele mostrará composições próprias e peças de J.B.Lulli, J.B.Rameau, D. Scarlatti e C. Daquin. ''Será um repertório bastante diversificado com música barroca, jazz, música latino-americana e autores comtemporâneos de vanguarda'', anuncia.
O programa inclui fragmentos de concertos para acordeon e orquestra, com temas do italiano Rossini (''Rossinianas'') e do argentino Astor Piazzolla (''Omaggio ad Astor Piazolla''). Zubitsky executa bayan, um modelo de acordeon ''exótico'' para os brasileiros, mas comum em países europeus como França e Rússia. ''Ele não tem teclados de piano, mas botões dos dois lados. Tem 5 oitavas e meia em cada lado, enquanto que o instrumento com teclados tem 4,5 oitavas na mão direita e apenas uma oitava na mão esquerda. É o verdadeiro acordeon de concerto. Faz tudo o que o outro faz, acrescido de recursos para tocar música erudita'', explica.
Ele lembra que Stalin, no período em que esteve no poder na União Soviética, proibiu o acordeon com teclados alegando que constituiriam ameaça capitalista. ''Stalin foi um fascista, mas seu decreto foi positivo porque ajudou a desenvolver o bayan. Hoje existem seis modelos diferentes'', diz. A popularização do instrumento no sul da Europa, aliás, tem origem numa medida adotada por outro político, no caso o compositor italiano Giuseppe Verdi, que ostentava cargo vitalício de senador.
''Quando ele ouviu o instrumento pela primeira vez, decretou que todas as escolas de música deveriam ensinar os alunos a tocá-lo. Isso ajudou a difundir o acordeon'', conta. Aproveitando a viagem ao Brasil, Zubitsky trouxe uma relíquia para tentar comercializar no País: um acordeon elétrico preto cravejado em pérola. A peça, convém avisar, não será tocada durante o recital de hoje.
Zubitsky apresenta-se mundialmente como concertista da Ukranian Concert Organization. Ele toca regularmente na Rússia, China, Grécia, Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Bulgária, Holanda, Áustria e Finlândia. Rege e atua como solista em orquestras conceituadas como a London Philarmonic e a Kamerata de Kiev (onde trabalha como docente em conservatório).
Iniciou a carreira em 1975, quando conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Acordeon, promovido pela Unesco. Começou tocando de ouvido, sob estímulo do pai, na cidade de Goloskogo-Nikoalev, na Ucrânia. Depois estudou em Moscou e Kiev formando-se em regência, composição e acordeon. Como compositor, tem peças como ''Carpathian Suíte'', ''Partita Concertante in Jazz Mode'', ''Children's Suíte nº1'' largamente utilizadas em concursos internacionais de acordeon. Ele escreve ainda para orquestras, coral, teatro e música de câmera.
Sua obra reúne sete sinfonias, três óperas, dois balés, sete concertos, diversas cantatas e composições para diversas formações instrumentais.


