O vinco ''europeu'' foi definitivamente limado do Festival de Música de Londrina. Mais uma vez, a diversidade sonora brasileira se impôs no evento, distanciando-se do ranço erudito que o acompanhou no passado.
A avaliação é da comissão organizadora e de representantes das instituições promotoras (Secretaria do Estado da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura e Universidade Estadual de Londrina), que convocaram a imprensa ontem pela manhã para apresentar um balanço prévio do que foram essas duas semanas e meia de atividades.
''Aqui reunimos desde alunos com formação em conservatório a artistas intuitivos que não passaram por escolas. O Festival não se fecha em estilos, gêneros ou períodos. Ele adquiriu esse rosto, essa cara. E essa trilha será mantida em 2005 quando o Festival comemora seu jubileu de prata'' garantiu Solange Batigliana, integrante do colegiado montado este ano para comandar a programação.
O recém-empossado secretário municipal de Cultura, Valdir Grandini também ressaltou o perfil de diversidade conquistado pelo FML. Surpreendeu-se, por exemplo, com o ''cruzamento de experiências e linguagens'' entre alunos e cursos. Segundo ele, muitos agentes culturais vinculados à Rede da Cidadania (projeto de inclusão cultural desenvolvido pela pasta) participaram da oficina de tradição oral ministrada pelo violeiro Paulo Freire.
''Isso vai ajudá-los nas oficinas de resgate de histórias desenvolvidas junto às comunidades'' salientou. Ainda segundo ele, um oficineiro ligado ao movimento hip hop teria trabalhado com Bossa Nova num curso de Educação Musical. ''Ao propiciar esses contatos, o evento colabora para o fim de preconceitos'' completou.
O músico Roney Marczak, representante do Governo do Estado no colegiado, destacou o convênio realizado entre o FML e o Sesi, que concedeu bolsas de estudo para a participação de 50 trabalhadores de empresas locais. ''Muita gente pergunta se o Festival é só para quem toca algum instrumento. Com essa parceria, provamos que a inclusão é para todos. E acredito que essa iniciativa poderá servir de exemplo e contagiar todo o País'' afirmou.
Segundo os organizadores, a programação pedagógica do evento registrou a presença de 1.037 alunos, enquanto o ''10º Simpósio Paranaense de Educação Musical'' (vinculado ao FML) contou com 110 participantes. ''Uma marca muito boa'' sublinhou Solange. Representando a UEL, o diretor da Casa de Cultura Kennedy Piau lamentou o atraso na liberação de recursos, o que gerou indefinição na programação e problemas na divulgação. ''Vamos tentar sanar esse problema no próximo ano, enviando o projeto de orçamento com antecedência'' frisou. Piau aproveitou a ocasião para anunciar a criação de um núcleo de ensino de música na Casa de Cultura da UEL, no Centro da cidade.
''A idéia é que ele se transforme futuramente numa escola municipal pública. Entramos em fase de captação de verbas para adaptação das salas e instalação do isolamento acústico. Estamos em negociação com uma empresa de telefonia e uma agência bancária'' adiantou. Além dos nomes citados acima, estiveram presentes à entrevista coletiva o professor Mário Loureiro (integrante do Colegiado) e Vanda de Moraes (indicada pela Secretaria Municipal de Cultura para compor a comissão executiva do FML).

mockup