FESTIVAL - Hamlet em versão contemporânea
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 2003
Jackeline Seglin<br>Reportagem Local 
Mais uma grande produção marca a programação do 36º Festival Internacional de Londrina (Filo). A atração de hoje no evento é a montagem Amloii, como lo dijo Hamlet, uma leitura do diretor chileno Maurício Celedón a partir da tragédia de Shakespeare. O espetáculo das companhias Karlic Danza, Samarkanda Teatro (Espanha) e Teatro Del Silencio (Chile-França) terá apresentações hoje e amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde.
Maurício Celedón, fundador do grupo Teatro del Silencio e referência da cena alternativa na Europa e América Latina, concebeu uma montagem que une elementos de uma grande tragédia à pantomima, acrobacia, dança e música. O resultado é um impactante espetáculo, com grande apelo visual e um cenário demarcado por uma estrutura de alumínio que permite aos atores executarem acrobacias aéreas.
Em Amloii... (que significa aquele que se faz de louco para vingar-se dos inimigos, como o obstinado príncipe dinamarquês), Celedón utiliza o texto de Shakespeare como fio condutor. No entanto, a história é contada a partir do ponto de vista de uma mulher Ofélia.
Parti do texto usando-o livremente, sem segui-lo ao pé da letra. Talvez possa dizer que a presença da mulher é o que dá um caráter contemporâneo e de atualidade a essa versão de Hamlet. A presença de Ofélia, esta mulher que está sofrendo e se suicida por amor, escreveu Celedón.
Ofélia aparece em cena representada por cinco mulheres distintas, cuja pureza é simbolizada através da inocência e da nudez. Amloii... está centrado em três temas: a maldade, a loucura e o suicídio.
Celedón consegue manter o público ligado durante uma hora de espetáculo, diz o ator Jose Resio. Ele leva emoção até o espectador. Devido ao ritmo crescente, o espetáculo chega a sufocar, completa o produtor David Péres.
Amloii... é um projeto de teatro total que demandou dois anos de preparação e três meses de ensaios. Nesse trabalho, as companhias passaram por um processo de criação diferenciado, em que os atores interpretaram todos os personagens e só depois, a partir de improvisações, definiram os papéis. Durante os meses de ensaios, o elenco trabalhou cerca de 14 horas por dia. A montagem estreou em abril de 2002.


