Chiquinha Gonzaga (1847-1935) já era uma compositora consagrada quando decidiu musicar a opereta ''Forrobodó'', de Carlos Bittencourt e Luiz Peixoto, em 1912. A contragosto dos diretores, que não acreditavam em seu êxito, ela negociou para que o espetáculo ficasse pelo menos uma semana em cartaz no Rio de Janeiro. A aposta rendeu-lhe a mais bem-sucedida montagem da época na área do teatro de revista. Sucesso absoluto, a peça ultrapassou a marca de 1.500 apresentações, com suas músicas caindo na boca do povo.
''Forrobodó é um besteirol do início do século passado, uma comédia musical em três atos sobre os costumes cariocas. A trama central é um roubo de galinhas'' explica a professora de canto Regina Lucatto que, mais uma vez, veio comandar uma oficina de montagem de espetáculo no Festival de Música de Londrina. Se nas três ocasiões anteriores ela adaptou musicais de Chico Buarque, desta vez optou em montar a opereta da autora de ''Ó Abre Alas''. A encenação será mostrada hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde.
A duração é de 40 minutos. A versão reúne todas as doze canções originais, entremeadas com pequenos textos que contam a história. O pianista Marcelo Caldi acompanha ao vivo a performance dos 28 cantores (todos alunos do Festival): 7 sopranos (e mezzos agudos), 7 contraltos (e mezzos graves), 7 tenores e 7 barítonos (e baixos). Como nas outras edições, Regina abriu inscrições e selecionou os candidatos. Alguns haviam participado das montagens de ''Calabar'' (2001), ''Ópera do Malandro'' (2002) e ''Gota D'Água'' (2003).
''Esse é o núcleo forte do elenco. Eles já têm uma postura mais solta no palco'' afirma a diretora. O grupo reúne cantores de MPB, integrantes de coro, regentes e professores de música. ''Há dançarinos, mas ninguém aqui é ator. Por isso reduzi o texto da peça, sem prejudicar a história. A intenção é valorizar a parte musical'' salienta. O cenário é uma rua de subúrbio, onde está instalada a casa de baile ''Grêmio Recreativo Familiar Dançante Flor do Castelo''.
Na abertura do espetáculo, a maioria dos personagens sai da platéia para se dirigir ao palco, todos trajando pijamas e camisolas. A composição do figurino contou com colaborações especiais, além do próprio elenco, que se virou para montar as próprias peças. Algumas roupas usadas no palco foram emprestadas (''pela senhora Relindes'', segundo a diretora) e outras produzidas a toque de caixa pela Glamour Confecções, de Ibiporã.
A montagem foi gestada em 8 dias, com três horas diárias de ensaios. No centro da história figuram os personagens ''Guarda-noturno'' (protagonizado por Geraldo Márcio), ''Sá Zeferina'' (Sheila Hannuch), ''Escandanhas da Purificação'' (Eric Mago), ''Sebastião'' (Arundo Terceiro), ''Praxedes'' (Júnior Menezes), ''Maestro Frazão'' (Christopher Whitt), ''Siá Rita'' (Luanna Belinni), ''Lulu Pinta Brava'' (Tiago Fuganti), ''Madame Petit-Pois'' (Natália Lepri) e ''Dr. Bico-Doce'' (Paula Ferracioli).
Regina é fundadora do grupo vocal carioca ''Garganta Profunda'', além de ser docente da Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro e atuar como regente de coral em empresas.

Serviço
- Opereta ''Forrobodó'', com alunos da Oficina de Montagem de Espetáculos. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 6,00 (estudantes pagam meia-entrada). Ponto de venda: no local, a partir de 15 horas.

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