FESTIVAL - FIM DE FESTA
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segunda-feira, 20 de junho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Desde Shakespeare a Eugenio Barba, a ficção teatral é um oceano que se anda com água pelo tornozelo, onde o aparente pertence a uma outra realidade - muito mais profunda e que festivais, como o Festival Internacional de Londrina (FILO), que encerrou domingo com um público de 40 mil pessoas, tentam explorar.
Foram 17 dias dessa expedição por clássicos da dramaturgia, como os textos do italiano Luigi Pirandello, visitados pelo ator Cacá Carvalho na montagem ''A Poltrona Escura'', que abriu a programação do festival.
Cinquenta e três espetáculos desembarcaram a produção de 14 países. Nove estados brasileiros também estiveram representados no festival, além de cinco grupos locais, que apresentaram a dramaturgia contemporânea, o teatro de pesquisa e o trabalho do ator.
A chance do público conferir a antropologia teatral de Eugenio Barba, do Odin Teatret, da Dinamarca, na peça ''Salt'', que para muitos foi o momento mais sublime do festival.
Os espectadores ainda se encantaram com algumas surpresas. Entre elas, ''Cuentos PequeÀos'', apresentado pelo casal peruano Hugo e Inés, confirmou a expectativa de público da Associação dos Amigos da Educação e Cultura do Norte do Paraná (Àmen) e Universidade Estadual de Londrina (UEL), organizadores do evento.
''O FILO enxuto criou um clima mais intenso de festival. Ao contrário de outros anos em que a duração era maior, não houve um pico de descanso. Conseguimos manter o festival em alta. Outro ponto importante é que, com até sete apresentações por dia, as salas estiveram lotadas'', avalia o diretor do FILO, Luiz Bertipaglia, acrescentando que o formato será mantido na edição 2006.
Sempre com lotação total, as cinco salas fechadas receberam 12 mil pessoas, que assistiram a espetáculos com as mais diferentes linguagens. Basta citar ''A Luta do Negro e dos Cães'', do Volksbuhne, da Alemanhã, e ''White Cabin'', do Akhe Group, da Rússia, ambos apresentados no Teatro Ouro Verde, dividindo as opiniões.
''Trouxemos diferentes pontos de vista e tendências teatrais. Conseguimos demostrar cada uma das linguagens, dramaturgias, o trabalho de ator, circo, enfim, reunimos o que é possível nas artes cênicas. As pessoas costumam questionar as razões de uma companhia estar inserida na programação, mas tentamos ressaltar a importância que tem dentro do seu segmento'', explica Bertiplaglia.
Se os teatros ficaram lotados, as ruas, praças e centros comunitários foram palcos de 10 apresentações para um público estimado de 6 mil pessoas.
O FILO chegou ainda até as 850 pessoas de 13 comunidades, que participaram dos Projetos de Maio.
A programação paralela do festival, destancando o workshop sobre a lei Rouanet, com o especialista Alexandre Brazil, o ateliê de formação de técnicos de espetáculo, em parceria com o Institut Supérier des Techniques du Spetacle, de Avignon (França) e a oficina de Máscaras Teatrais, com o ator português e diretor da Casa da Comédia, Filipe Crawford, também despertaram atenção.
A coreografia ''After Eros'', da americana Maureen Fleming, traduz a edição 2005, que por um bom tempo flutuará na lembrança do público.
A maior frustração do festival foi o cancelamento da apresentação de ''Gemelos'', de Laura & Zagal, do Chile, montagem que esbarrou na burocracia para a liberação da carga. O grupo já está convidado para se apresentar no próximo ano.
Para as 27 mil pessoas que ainda se divertiram no espaço cênico-musical Cabaré do FILO nos shows de Zélia Duncan, Ângela Ro Ro, AfroReggae, BNegão e Os Seletores de Frequência, Trio Mocotó e Paulinho da Viola, os organizadores do festival avisam que já preparam a temporada 2006.
A intenção é apresentar o evento às leis de incentivo, patrocinadores e grupos teatrais antes do final do ano, defininindo os grupos internacionais até o mês de setembro.
''Penso em adiantar o máximo possível, principalmente, os grupos internacionais. Pelo menos os mais importantes'', afirma Bertiplagia.
Entre as atrações do próximo ano, o público do festival pode esperar pela primeira apresentação no Brasil da Needcompany, da Bélgica, com o espetáculo ''Isabella's Room'', e a companhia canadense Les Deux Mondes, com a peça ''A História do Ganso''. Então, que venha o FILO 2006...


