FESTIVAL - Festa de vozes, ritmos e movimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Não procure no Aurélio, que lá não consta. ''Forféu'', na gíria, quer dizer festa. ''Forféu do Mundaréu'' é a festa de vozes, ritmos e movimento que o grupo curitibano Mundaréu mostra hoje em três apresentações no 26º Festival de Música de Londrina: ao meio-dia no Calçadão, às 16 horas na Praça da Rua Mar Del Plata (da Vila Brasil) e às 23 horas no João Sebastião Bar.
Prepare-se para entrar no espírito da coisa. ''É um baile que não toca no rádio, nem aparece na televisão'' diz Itaércio Rocha, um dos fundadores do grupo, lembrando que o espetáculo reúne diversas tradições culturais populares do País. Há de tudo: ciranda e maracatu de Pernambuco, coco de várias regiões do Nordeste, cacuriá e toada de boi do Maranhão, fandango paranaense, marchinhas de carnaval, bonecos e perna de pau.
Mais do que um grupo musical, o Mundaréu é um grupo de pesquisa. Além de Itaércio, sua formação inclui Daniella Gramani (voz, rabeca e percussão), Dayse Santiago (voz e percussão), Melina Mulazani (voz e percussão), Thaiana Barbosa (voz e percussão), Zé (bricante) e Naiamy (brincante). Todos têm formação universitária.
A trupe foi criada em 1997 para participar do ''Festival da Canção da UFPR''. De lá para cá, montou diversos espetáculos e gravou os CDs ''Guarnicê, uma singela Opereta Popular'' (2000), ''Embala Eu'' (2002) e ''Cortejo Natalino'' (2005). ''O primeiro disco traz toadas do boi do Brasil todo, o segundo junta músicas de tradição oral e o repertório de de compositores da MPB; e este último apresenta canções do ciclo natalino'' explica o artista.
Em 2001 o Mundaréu foi selecionado pelo projeto ''Novos Rumos: Vertentes e Tendências da Música Brasileira'', do Instituto Itaú Cultural, para representar o Paraná em um CD que reúne outros grupos dedicados ao resgate de cultura popular. Nascido no Maranhão, Itaércio vive há anos no Paraná. Já morou em Maringá, onde estudou Pedagogia e trabalhou na Secretaria de Educação.
Na época, veio várias vezes a Londrina. Agora, será a primeira vez que chega à cidade trazendo um espetáculo a tiracolo. Em Curitiba, ao lado dos colegas de grupo, divide a produção artística com atividades paralelas como a participação em movimentos populares de rua e realização de oficinas ligadas à cultura popular e arte-educação.
Para ele, grupos como o Mundaréu representam um movimento de resistência a aspectos nefastos da globalização. ''Em Curitiba, existem mais três ou quatro grupos do gênero. Esse tipo de trabalho têm crescido muito no Brasil por conta da própria força da cultura popular. E, quando somos lançados no mundo por conta da globalização, precisamos de uma moeda de troca para se distinguir. Precisamos de uma marca, de uma identidade. Sem identidade, sem raiz, sem passado, não existimos. Por isso, fico feliz quando saem produtos como o recém-lançado livro ''Museu Vivo do Fandango'', cuja importância é ignorada pela mídia'' diz.
Ele salienta ainda que a pesquisa de culturas populares devolve o artista ''ao colo materno, às origens''. O ''Forféu'', que o grupo apresenta hoje em Londrina, é uma celebração das manifestações genuínas brasileiras. Por ser uma festa, busca a interatividade com o público, que é convidado a cantar e dançar com os artistas.


