Tradicionalmente conhecido pelo caráter competitivo, o Festival de Dança de Joinville, agora em sua 23º edição que começou no último dia 20 e segue até o próximo dia 30 , cada vez mais investe em cursos para seus participantes. Entre eles está o de balé clássico intermediário, que neste ano está sendo conduzido por Leonardo Ramos, diretor do Ballet de Londrina, e pela professora Toshie Kobayashi.
Ramos contou que já fazia mais de dez anos que não participava do festival e ficou impressionado com a dimensão conquistada pelo evento. As aulas estão sendo realizadas na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e a diversidade de alunos é a tônica do curso. ''É um público muito diversificado que abrange desde alunos iniciantes até os que podem ser considerados pré-profissionais'', comentou Ramos. ''Eles apresentam graus diferentes de dificuldade o que também podem ser reflexo dos diferentes modelos de clássico que são ensinados pelo país'', acrescentou.
Avesso ao estilo de ''aula-show'', Ramos afirmou que nesse tipo de curso intensivo o mais importante é conseguir promover no aluno ''dúvidas e questionamentos sobre a forma de trabalhar, além de expectativas novas''.
''O interessante deste tipo de encontro é que podemos contrapor as nossas referências e trocar conhecimentos, que são bens mais preciosos'', ressaltou.
Ramos também destacou o que considera um esforço da comissão artística do festival em ''evoluí-lo em utilidade'', referindo-se à intensificação da realização dos cursos, oficinas e workshops. ''É preciso que a comunidade de dança dê uma resposta rápida e realmente participe dessas atividades. O profissional de dança não deve apenas focar o seu trabalho no palco, onde poderá ficar até no máximo 41 anos. Se pensa em ficar nesse meio, deve investir muito na sua formação.''
Dentre as atividades pedagógicas, neste ano o festival destinou um dia totalmente dedicado a discussões e debates sobre a dança, na última segunda-feira, denominado ''E Por Falar em Dança''. A programação incluiu mesa-redonda sobre dança contemporânea, jazz e dança de rua com a participação de Rodrigo Bernardi, Carlotta Portella, Airton Tomazzoni e Roberto Pereira; um painel sobre projetos sociais com dança, apresentado por Sílvia Sotter e Sigrid Nora; a palestra ''A Dança na Escola Pública - Novo Mercado de Trabalho'', de Ângela Ferreira; um talk show em que participaram o coreógrafo Ricardo Scheir, que nesta edição do festival teve 17 coreografias de sua autorias concorrendo, e com as bailarinas Ana Botafogo e Cecília Kerche, e a apresentação de diversos trabalhos acadêmicos na área da dança.
Vale ressaltar a mostra comentada de Vídeo-Dança, que também ocorreu nesse dia, e teve comentários de Leonel Brum, pesquisador e diretor artístico do Dança Brasil, cuja última edição aconteceu no ano passado, no Rio de Janeiro.
Segundo ele, no Brasil, o conceito de vídeo-dança ainda é muito recente e as pessoas ainda têm dificuldade de diferenciá-lo do registro em vídeo. ''A vídeo -dança traz uma linguagem híbrida e a relação da interferência da câmara com a dança e vice-versa'', observou. Na mostra foram exibidos os seguintes vídeos: ''Um movimento quase qualquer'', de Cecília Lang; ''Por onde os olhos não passam'', de Paulo Mendel e Andréa Maciel; ''Corpocolado'', de Lilyan Vass e Alex Cassal; ''Esfolada'', de Henrique Rodavalho e Kléber Damaso e ''Para Annie'', de Angélica de Carvalho. Mais informações sobre vídeo-dança podem ser obtidas pelo e-mail: [email protected].

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