FESTIVAL - Em Goiás, a festa é do CINEMA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de junho de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Cidade de Goiás, especial para a Folha 2 
A solenidade de abertura, que lotou os 300 lugares do Cine Teatro São Joaquim, área central da pequena, acolhedora, charmosa cidade colonial, ex-Vila Boa e ex-Goiás Velho, foi aquele momento tradicional em qualquer festival de cinema. Discursos de praxe, agradecimentos, reconhecimentos ao aporte de patrocinadores, inevitável burocracia. Tudo teria funcionado cronometricamente e terminado mais cedo, não fosse o atraso de uma hora até a entrada do governador Alcides Rodrigues.
A entrada dele foi propositadamente retardada pela segurança, porque nas ruas estreitas que dão acesso ao cinema algumas centenas de barulhentos manifestantes aguardavam a chegada dele, vigiados quase corpo a corpo por alentado efetivo policial-militar. O pessoal da área da educação goiana está em greve por melhores salários há quase dois meses, e não há diálogo entre as partes. Ou pelo menos não havia: talvez forçado pelas circunstâncias ''ambientais'', com forte presente da mídia nacional, o político resolveu conversar na rua mesmo com os grevistas. Ponto para o festival, que atuou como cenário democrático.
E este clima nostálgico de três pês - passeata, protesto, polícia -, evocando maio de 68, teve belo desdobramento na segunda parte da solenidade. O coordenador do FICA, cineasta João Batista de Andrade, decidiu homenagear o cantor, compositor e cineasta Sergio Ricardo, de quem há muito não se ouvia falar. Ele ficou famoso e passou a figurar no folclore das artes nacionais quando, em certa noite no palco da TV Record ali pelo final dos anos 1960, enfurecido pelas vaias da platéia, quebrou o violão e atirou os pedaços no público.
Mas na terça-feira aqui, um surpreendentemente jovial e bem-humorado Sérgio Ricardo tocou e cantou, com aquela mesma velha dissonância, algumas de suas melhores composições. Somente acompanhado pelo excelente baixista goiano Bororó.
Sérgio mergulhou no tempo e emocionou boa parte do público com ''Enquanto a Tristeza Não Vem'' e as trilhas sonoras de ''O Menino da Calça Branca'' (dirigido por ele) e de ''Deus e o Diabo na Terra do Sol'', a obra seminal e operística de Glauber Rocha, com direito ao acompanhamento de imagens do clássico do Cinema Novo projetadas no telão.
Somente ontem à tarde foi iniciada a atraente mostra competitiva do Festival Internacional de Cinema e Filme Ambiental. A grade de programação priorizou a primeira etapa do Fórum do Clima, Amazônia e Cerrado, que ocupou toda a manhã. O fórum, coordenado pelo jornalista Washington Novaes, termina hoje e é a principal atração paralela do 9º FICA, com uma série de oito palestras a cargo dos mais importantes ambientalistas brasileiros.
O jornalista viajou a convite da organização do festival


