FESTIVAL - Em cena, o fascinante universo da boemia
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Malandros, prostitutas, cabarés. O universo da antiga boemia fisgou o maestro, pianista, arranjador e produtor musical Anderson Nascimento no começo deste ano em Curitiba. O tema o cativou após a leitura da opereta criolla ''Lo que me costó el amor de Laura'', do escritor argentino Alejandro Dolina.
Quis montá-la com o grupo Gogó à Brasileira, quando recebeu convite para ministrar uma oficina de coro cênico no Festival de Música de Londrina. Não titubeou. Assumiu o posto, que por três anos seguidos foi da carioca Regina Lucato, e trouxe na bagagem o texto de Dolina para montar com os alunos.
A oficina começou há dez dias no último andar do Edifício Júlio Fuganti. Hoje, às 20h30, a turma sobe ao palco do Teatro Ouro Verde para mostrar o resultado das aulas e ensaios. O espetáculo, batizado ''Suíte Cabaré'', traz adaptação, direção e arranjos de Anderson. ''É um musical romântico em oito atos, com doses de humor e inserções de músicas de Chico Buarque, Noel Rosa e Heckel Tavares'' anuncia ele.
O enredo gira em torno de um malandro apaixonado por uma prostituta de cabaré. ''A história fala de paixão, de amor, e traz momentos que poderão emocionar a platéia. Mas é cheia de pitadas de humor, sarcasmo e ironia. Vamos mostrar uma comédia romântica, um musical à la Broadway'' brinca Sara Presoto, uma das integrantes do grupo.
Anderson salienta que o trabalho ''é o primeiro musical de verdade'' montado no Festival'', lembrando que as montagens apresentadas em edições anteriores ''eram peças musicadas de Chico Buarque''. Desta vez ressalta ele o texto fica apenas com os atores principais, mas ''o restante do grupo participa bastante cantando em coro todo o tempo''.
O grupo reúne 32 integrantes incluindo cantores, atores, músicos e jornalistas. Quase todos estão participando da oficina de técnica vocal, também oferecida pelo Festival. Com pouco tempo para montar o espetáculo, eles estão se desdobrando nos ensaios. ''O espetáculo precisava de seis meses de preparativos. Vamos montá-lo em dez dias. Estamos correndo contra as horas'' diz Sara.
''Inicialmente, a oficina só seria realizada no período da manhã, das 9 horas ao meio-dia. Mas estamos ensaiando à tarde e à noite também'' completa o diretor. Apesar da pressão, nenhum dos dois reclama das atividades puxadas. Ambientado num cabaré, o musical traz cenário e figurinos típicos (emprestados pela Escola Municipal de Teatro). A iluminação ficou por conta do curitibano Rodrigo Oliveira. A cantora Joyce Cândido, também componente da trupe, apresentará um número especial antes do espetáculo.
Ela participou recentemente da seleção de talentos para o programa Fama, da Rede Globo, sendo eliminada na reta final da região sul. Hoje à noite, vai interpretar canções de Chico Buarque, Zé Kéti, Ismael Silva e Gonzaguinha com Anderson ao piano e nos vocais. Este, nascido em Santa Catarina, morou no Rio de Janeiro e atua na área musical curitibana trabalhando com grupos ligados à Fundação Cultural como Gogó à Brasileira, Cobras e Lagartos, Theotókos e MPB & Cia.
Além disso, é cantor e diretor adjunto do Vocal Brasileirão, com o qual trabalhou durante 8 anos com o maestro Marcos Leite. É também professor do curso de Prática de Conjunto Vocal do Conservatório de MPB da capital paranaense. A exemplo de sua passagem por Londrina, ministra oficinas de dinâmicas do canto em grupo e prática de montagem de espetáculos em vários estados brasileiros.
Após a estréia hoje no Teatro Ouro Verde, ''Suíte Cabaré'' será levada amanhã a Maringá.


