Agora a dupla de clowns agora pode se orgulhar de ter um destaque maior na imprensa. Isso porque no espetáculo ''Art Of Dying'', apresentado no Teatro Zaquel de Mello nos dias 10 e 11, uma cena arrancou gargalhadas do público. Depois da apresentação bem sucedida, dos famosos palhaços, interpretados pelo italiano Paolo Nani e o islandês Kristján Ingimarsosnn, eles recebem o jornal e procuram a repercussão do espetáculo. Em cena, eles abrem as páginas da Folha de Londrina e encontram algo publicado sobre o trabalho deles. Contentes, os dois começam a rasgar o jornal para pegar a notícia. Primeiro meia página, depois um quarto de página, até que sobra apenas um pedacinho do tamanho de um selo, que eles orgulhosamente colam com saliva na parede do camarim, cenário do espetáculo, e até tiram fotos ao lado da minúscula ''matéria''. Na verdade, uma sinopse publicada pela Folha num dia de sete espetáculos em cartaz. Pois é, Paolo e Kristján, agora as coisas melhoraram para vocês, com direito à entrevista - feita antes das apresentações, quando desembarcaram em Londrina -, foto e tudo a que vocês têm direito.
Os dois clows, dedicados à arte de fazer rir, vivem na Dinamarca e viajam ao redor do mundo com a missão de levar alegria às platéias de um planeta em crise. Antes de chegar a Londrina eles se apresentaram na Turquia e daqui rumam para Santiago do Chile. O Espetáculo ''Art Of Dying'' é uma criação coletiva dos atores. Todo o espetáculo é feito com gestos e expressão corporal, linguagem universal e que pode ser compreendida por todo mundo. ''O trabalho do palhaço é uma coisa muito inocente, uma coisa da infância, quando você vira palhaço na verdade o que acontece é que a sua máscara cai. Não é um trabalho intelectual, é uma coisa do corpo e do gesto e pode ser compreendido em todos os lugares, independe da religião ou do posicionamento político do país. Eu penso que num mundo em crise o ofício do palhaço é fundamental, justamente por aproximar as pessoas dessa inocência'', observa Kristján Ingimarsson. Para Paolo Nani, o ofício tem ainda outra importância. ''Não penso em fazer as pessoas rirem apenas pela diversão passageira, mas para lembrar que estamos vivos'', disse.
Eles pouco conhecem a cultura brasileira, não têm referência de palhacos que atuam por aqui e, apesar de estarem pela segunda vez no país do carnaval, não tiveram tempo para conhecer nossas artes como gostariam. ''Não tenho muito conhecimento do país, é só o clichê mesmo, carnaval, Ronaldinho, a beleza das mulheres, isso porque nós estamos pela segunda vez de passagem rápida pelo Brasil, chegamos, fazemos os espetáculos e partimos. Na primeira viagem nos apresentamos em Brasília'', argumenta Paolo Nani. Mesmo assim eles enlouqueceram na seção de frutas de um supermercado em Londrina. ''Eu amo o Brasil, a comida, a capoeira, as mulheres que são mesmo lindas e as frutas maravilhosas'', salienta Kristján.
Mas melhor do que mulheres lindas, frutas suculentas ou ainda a expressão corporal de capoeiristas no ar, os atores se encantaram mesmo foi com a platéia. ''Pela segunda vez pudemos observar que os brasileiros são bem rápidos para entender o humor e respondem com prontidão, participam do espetáculo, os europeus são devagar, nos países mais quentes o público tem mais calor. Na Bélgica e na Finlândia o público é frio como o próprio clima, economizam nas palmas e parece que sofrem de depressão coletiva'', explicou Kristján Ingimarsosnn, que junto com seu parceiro de cena faz o público quase morrer de rir.

HOJE NO FESTIVAL

L' Avar, com a cia Tàvola Rassa (Espanha). Às 20 horas, Tetro Crystal (Rua Quintino Bocaiúva, 15)
Les Tambours de Feu, com a cia Deabru Beltzak (Espanha). Às 19h30, no Zerão.
- La Historia de la Oca, com a cia Les Deux Mondes (Canadá). Às 20h30, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
- La Octava Puerta, com a cia Teatro Buendía (Cuba). Às 21 horas, na Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537).
- The Queen of Colors, com Eufreuliches Theater Erfurt (Alemanha). Às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413).
- Oras Bolas, com Cia Noz de Teatro, Dança e Animação (São Paulo). Às 19 horas, no Palco Petrobras (Zerão).
FN62>Ingressos para o FILO: posto de venda no primeiro piso do Royal Plaza Shopping. Das 11 às 22 horas. Ingressos R$ 10,00 por espetáculo (com meia-entrada para aposentados, estudantes, classe artística, funcionários da UEL e portadores do cartão Petrobras). Mais informações pelo telefone: (43) 3324-3299.
Leia mais sobre a FILO na página 3.

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