FESTIVAL - Dança com criatividade baiana
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segunda-feira, 21 de julho de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> De Joinville 
Duas coreografias, dezesseis bailarinos, cerca de oitenta minutos de performance. Breves informações numéricas pois o que conta mesmo é a expectativa em torno do Balé do Teatro Castro Alves, de Salvador, convidado a honrar a Noite de Gala do 21º Festival de Dança de Joinville. A apresentação, que acontece hoje a partir das 20 horas, no Centrevento Cau Hansen, tem sabor especial para a companhia baiana, uma das referências da dança contemporânea do Brasil. É que ''O Arquivo e a Missão'' e ''Pracatum'', duas peças que compõem o espetáculo, só foram executadas em Salvador e na Europa, mais especificamente Áustria, Itália e Alemanha. Ou seja, tem quase o peso de uma estréia nacional. ''Vir a Joinville é como mostrar o espetáculo nacionalmente'', analisa Antonio Carlos Cardoso, diretor artístico do Balé Castro Alves.
Primeiramente, o público vai conferir ''O Arquivo e a Missão'', cuja concepção do coreógrafo Cláudio Bernardo, cearense radicado há 15 anos na Bélgica, trabalha com o gestual brasileiro. Baseou-se em duas pesquisas etnográficas, uma realizada por Mário de Andrade nos anos 30 e outra encomendada na década seguinte pelo congresso americano. Dança ao som de cantorias populares do norte, nordeste e Minas Gerais e também obras de Villa-Lobos e Caetano Veloso, entre outros compositores. A trilha sonora ganhou contornos eletrônicos de DJs. No total, 50 minutos de duração. ''É uma coreografia com espírito bem brasileiro, bem-humorado e que trabalha com gestos utilizados pelas pessoas no dia-a-dia. Muita gente vai se identificar'', antencipa Antonio Carlos Cardoso.
Em seguida é a vez de ''Pracatum'', trabalho conjunto do coreógrafo Tíndaro Silvano com o cantor e compositor Carlinhos Brown. Timbres, formas, movimentos e frases musicais e coreográficas se entrelaçam neste trabalho, notoriamente rítmico, que apresenta de maneira abstrata o universo percussivo de uma possível Bahia dançante e feliz. É a primeira vez que Brown trabalha num projeto deste tipo. ''Ele (Brown) ficou todo animado e, juntamente com o Tíndaro, fez um trabalho musical em que a música e dança estão inteiramente interligadas'', informa Cardoso. ''Pracatum'', percussivo até no nome, tem 25 minutos de duração.
Criado em 1981, o Balé do Teatro Castro Alves foi a primeira companhia contemporânea instalada no norte e nordeste do Brasil. Foi Antônio Carlos Cardoso que formatou a estrutura hoje prestigiada inclusive no exterior. ''Claro que tempos particularidades pelo fato de o balé vir da Bahia. Mas nunca fomos visto como uma companhia exótica. Talvez a melhor definição veio de Ana Kyselgoff (crítica de dança do The New York Times) que disse sermos uma companhia de dança moderna, mas com sotaque brasileiro'', diz Cardoso.
Em função da Noite de Gala, hoje não haverá Mostra Competitiva no 21ºFestival de Dança de Joinville. A programação didática, no entanto, transcorre durante todo o dia com debates dentro de um evento especial denominado ''E por falar em Dança...'' que irá reunir professores, bailarinos, coreógrafos, estudantes. Os assuntos em pauta vão desde a lonvegidade da dança até a pluralidade de estilos. O local escolhido foi o Teatro Juarez Machado, anexo ao Centreventos.
As atividades começam às 9 horas e terminam às 18h30 com um desfile seguido de exposição com 35 figurinos de dança clássica. O evento tem coreografia de Heron Nobre, direção de Oswaldo Berry e a participação de bailarinos da Companhia Brasileira de Balé do Rio de Janeiro e da Academia Petite Danse, ambas do Rio de Janeiro. A edição 2003 do Festival de Dança de Joinville prossegue até dia 27 de julho.
O jornalista Antônio Mariano Júnior viajou a Joinville a convite do 21ºFestival de Dança


